Daniela Carvalho com vestido Helô Rocha e bolsa que criou para o desfile de inverno 2016 da marca, ao lado de obra de Sumitra Dhyan - Foto: Raphael Briest
Daniela Carvalho com vestido Helô Rocha e bolsa que criou para o desfile de inverno 2016 da marca, ao lado de obra de Sumitra Dhyan – Foto: Raphael Briest

Por Ligia Carvalhosa

Daniela Carvalho foi modelo por mais de uma década, ganhou concurso da Elite Model Management, viajou pelo País, mas cansou das passarelas. Decidiu que precisava de novos ares e encontrou, em alto Paraíso (Go) – sua casa há 15 anos –, o que buscava: inspiração para criar. No caso, alguns dos acessórios mais desejados do momento.“Precisava olhar para dentro”, conta, sobre como chegou a sua atual vocação. Da combinação entre o estilo de vida zen e a multiplicidade cultural da cidade goiana nasceram seus hits: bolsas de patchwork de couro que caíram no gosto da turma hype assídua daquelas terras místicas. Entre elas, Helô Rocha, estilista que convidou a designer para parceria na coleção de inverno 2016 de sua marca homônima. “Quem sugeriu meu nome foi a Lea T, que, por sua vez, me foi apresentada por Vanessa da Mata, minha amiga de adolescência”, relembra. A modelo brasileira, musa de Riccardo Tisci e dona de uma casa em alto Paraíso, se encantou pelas bolsas de Dani durante suas férias em Trancoso. Comprou vários modelos e circulou com as criações artesanais nos hot spots mundo afora. O boca a boca estava lançado e, meses depois, veio o convite. “A Lea T me disse que três estilistas do SPFW estavam interessados nas peças. Quando conheci o trabalho da Helô, tive certeza de que seria com ela, combinava com a minha estética.”

Cliques do backstage no SPFW do desfile de Helô Rocha - Foto: reprodução
Cliques do backstage no SPFW do desfile de Helô Rocha – Foto: reprodução

Foi um mês de trabalho para produzir, manualmente, todos os acessórios. Couro de píton, arraia, pedras, penas e metais, que, misturados, ganham cara totalmente nova. “Não sigo tendências. Para mim, o importante é chegar num resultado único.”Além das bolsas, Dani vende em sua loja, a MadreTerra, em alto Paraíso, roupas e objetos garimpados em viagens. O início de tudo aconteceu por acaso, numa quase-tragédia em suas andanças pela Chapada dos Veadeiros. “Caí em um cânion e fiquei imobilizada. Na época, era produtora do [festival de música] Transcendence e precisei parar. Aos poucos, fui recuperando os movimentos e comecei a fazer tressê de couro. ”Era 2002, e as cartucheiras que criou se tornaram best-sellers.“Tinha tudo a ver com o universo da música. Ali nasceu a minha marca, a Manitú.”

Hoje, aos 40 anos, a convivência com os amigos que fez na região, como Sean de Souza, filho de Cacá de Souza e afilhado de Valentino Garavani, serve de inspiração.“Em um jantar, acontece de falarmos 15 línguas. Convivemos com pessoas de fora o tempo inteiro. ”Referências culturais que agregam ao seu trabalho e que levam suas criações além das fronteiras nacionais.“Minhas peças circulam nas mãos dos amigos e, assim, vou somando clientes. A Califórnia é um dos meus maiores pontos de venda.” Ou seja, estilo brasileiro com passaporte para o mundo.