“Eu não sou um designer de moda que cria roupas somente para desfiles. Eu acho isso uma mentira. Eu realmente faço roupas para serem usadas.” Foi nesse tom que  Dries Van Noten começou sua palestra, realizada na última quinta-feira (29.03) no seminário Fashion Talks, realizado pela Alliance Française.

Durante a conversa com Pamela Golbin – curadora do Musée de la Mode et du Textile do Louvre –, Van Noten reafirmou sua vontade de manter seu status de designer independente, o que faz parte do DNA da sua marca desde o lançamento há 27 anos atrás.

A palestra teve foco principal na carreira do designer, em seu trabalho independente, e também sobre como suas criações expressam os seus questionamentos internos e a sua dupla função dentro da empresa. Dries Van Noten, no auge dos seus 53 anos, tem pique de adolescente, atua como diretor criativo e executivo de sua marca homônima e diz que as duas atividades lhe inspiram de maneiras diferentes, além de estar sempre por dentro de tudo o que acontece na empresa.

Quando questionado sobre projetos futuros, o designer se mostrou animado a respeito sua coleção de prêt-a-porter. Falou do pouco desejo em desenvolver uma grande linha de acessórios, apesar de considará-los importantes dentro de uma marca.

Dries Van Noten contou que não costuma fazer campanhas publicitária. “A coleção é uma história. Não é uma pessoa. Eu não tenho uma musa.”, disse e ainda complementou: “As pessoas vão comprar as roupas pelas roupas e não pela marca.”

Na palestra, ele também revelou que usa seus desfiles como estratégia de comunicação, “você tem 10 minutos para explicar ao público o que você está querendo dizer.” Para Van Noten, isso é importante devido as redes sociais, que em minutos após os desfiles, são capazes de espalhar fotos de looks e de detalhes, em todos os ângulos para os quatro cantos do mundo.

Foto: Getty Images