Godfrey Deeny, fashion editor at large do Le Figaro - Foto: getty Images
Godfrey Deeny, fashion editor at large do Le Figaro – Foto: getty Images

 

Por Ligia Carvalhosa

Circulando pelos bastidores da moda a mais de 25 anos, Godfrey Deeny faz parte de um seleto grupo de editores. Antes da semana de alta-costura? Um chá com Karl Lagerfeld e um espumante com Donatella Versace para conhecer de perto as propostas dos estilistas. “Gosto do old fashion style”, comenta sobre os encontros ultra exclusivos.

Na contramão, um comentário para lá de ácido sobre o time de bloggers que circula entre as salas de desfile e os flashes de street style. “Eles vem se tornando cada vez mais importantes, mas nenhum se tornou um editor de moda como Suzy Menkes ou Tim Blanks; eles são mais como fãs, apesar de muitos operarem para ganhar roupas”.

Responsável pelas críticas do Le Figaro, Deeny é habitué dos fashion weeks brasileiros – ele carrega no passaporte mais de  15 carimbos nacionais. “O SPFW é a quinta semana de moda mais importante do mundo, ficando atrás apenas de Paris, Milão, Nova York e Londres”, defende ele, que na última temporada ficou impressionado com o trabalho do estreante Wagner Kallieno, “ele tem um ‘quê’ meio Cavalli, Versace, achei muito bom”, diz sobre a moda sexy do potiguar.

Integrantes da nova geração de estilistas nacionais, Barbara Casasola e Pedro Lourenço também estão no topo da lista do editor. “Os dois desenham para uma classy woman como Andrea Dellal e Carolina Overmeer”, diz em referência as duas brasileiras do high society. “ Eles são ambiciosos e empreendedores, além de ter um big ego, algo importante nesta indústria”.

Mas se o trio merece elogios, a moda nacional não segue o mesmo rumo. “Vocês estão mais profissionais, mas perderam um certo joie de vivre”, dispara, creditando o mal a chegada das fast-fashion. “Chanel e Louis Vuitton já não são parâmetro, a verdade é que Zara e Top Shop estão influenciando o que vocês apresentam na passarela”, dispara. “Achei que o Brasil seria um polo de estilistas experimentais mais parecido com Londres, mas, pelo contrário, o business cresceu, a qualidade melhorou, só que a conexão criativa se perdeu”.