Foto: Divulgação
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Nesta temporada, o diretor de criação da Gucci, Alessandro Michele, e o artista plástico Trevor Andrew (mais conhecido como Trouble Andrew ou Gucci Ghost) se juntam para uma parceria que promete repercussão equivalente a da Louis Vuitton com Stephen Sprouse. Trata-se de verdadeiro intercâmbio criativo entre mentes brilhantes que, embora pertençam a mundos distintos, operam em perfeita sintonia.

De um lado, um estilista apaixonado pela Renascença, pela história da arte, pelos preciosos processos artesanais, pela grandeza da moda e seu poder narrativo. Do outro, um skatista e snowboarder profissional, designer gráfico e artista plástico, conhecido por intervenções urbanas e apropriações de logos e símbolos famosos da cultura pop. Em comum, carregam o interesse pelas culturas de rua e certa idolatria pela Gucci.

O resultado? Uma linha de roupas e acessórios que injetam bem-vinda atualidade street à moda de Michele e status de luxo à arte de Andrew. E com lançamento e megafesta marcados para outubro, na Dover Street Market de Tóquio (as peças chegam no Brasil na mesma época). Em antecipação ao evento, Bazaar conversa com Andrew sobre o trabalho a quatro mãos e a importância das ruas para a moda de luxo.

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Bazaar: De onde veio sua obsessão pelo logo dos Gs invertidos da Gucci?
Trevor Andrew:
A minha história com o logo começou há cinco anos, num Halloween. Peguei um lençol velho, estampei os Gs da marca nele e cortei dois buracos nos olhos. Aí, as pessoas começaram a me chamar de Gucci Ghost, conforme andava por Nova York. Aquela reação foi incrível e alimentou meu desejo de desenhar o símbolo no meu trabalho. Desse dia em diante, comecei a criar meu próprio universo Gucci, pintando tudo que encontrava pelas ruas.

Você também coleciona algumas peças da marca. Quais são suas preferidas?
Customizei, recentemente, uma mala vintage que amo. Também adoro um trench coat da era Tom Ford. Me sinto orgulhoso de usar o que tenho. É maravilhoso como qualidade e design podem fazer você se sentir um cara foda.

Um dos pontos mais interessantes do seu trabalho é a apropriação de símbolos da cultura pop…
Acho divertido brincar com imagens que têm um efeito emocional nas pessoas. Gosto de aplicá-las de uma maneira crua e vulnerável, para criar uma nova energia em torno de algo familiar. Por exemplo, se o assunto é sombrio, tento dar humor; se me parece alegre demais, proponho um pouco de tristeza ou aspereza, para equalizar as coisas e torná-las mais honestas.

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Falando em honestidade, por que você acha que as marcas de luxo estão se apropriando dessa atitude típica da cultura de rua?
Porque, no fundo, todo mundo quer ser rebelde.

Você cresceu imerso na cultura do skate. Vê similaridade entre esse mundo e o da moda?
Para mim, surfe, skate e snowboarding são mais arte do que esporte. Carregam um espírito punk que permite se expressar livremente, sem regras. É sobre sua abordagem individual de estilo. Sinto que, com a moda e a arte, é a mesma coisa, o que fica bem é só uma questão de opinião.

Como foi trabalhar com Alessandro Michele?
Foi uma experiência mágica! Ele trabalha com o coração, sem medo, e, por isso, somos tão sincronizados – é o modo como faço minhas escolhas. Tudo o que faço é porque amo. Não penso no que os outros podem dizer, e Alessandro é exatamente assim: tem coração de leão e olhos de gavião. Ele viu as reais intenções do meu trabalho e manifestamos isso criando algo juntos.

E como foi esse processo a quatro mãos?
Alessandro confiou em mim de verdade – o que reforça sua coragem e habilidade em acreditar em alguém. Foi muito divertido ver como ele acrescentou sobre o que comecei. Nunca precisei dizer: “Não faça isso”. Às vezes, nessas colaborações, é preciso ceder um pouco, mas não aconteceu. Quando Alessandro somava novas ideias, eu pensava: “Meu Deus, você deixou ainda melhor!”.