Por Gilberto Júnior

Se depender de Miuccia Prada, o inverno 2013 será estampado dos pés à cabeça.Depois de fazer o mundo inteiro usar listras e estampas tropicais, a italiana está decidida a popularizar o conjuntinho, hit dos anos 1960.

A aposta dominou os desfiles da Prada e Miu Miu. Mas não só. Stella McCartney vem desenvolvendo a ideia há duas estações. Andrea Marques, Espaço Fashion e Printing, no Fashion Rio, aderiram ao total print, enquanto, no São Paulo Fashion Week, Fernanda Yamamoto e Triton fizeram peças com estampas coordenadas.

A tendência já está, inclusive, nas ruas. A itgirl Olivia Palermo e as editoras Giovanna Battaglia e Anna Dello Russo, por exemplo, entraram na onda. “O look é fundamental para a temporada”, decreta Neil Elliott, diretor sênior de prints & graphics, do birô Stylesight, em Londres. “Antigamente, esse visual tinha um ar conservador, mas, agora, tem pegada jovem e um feeling mais atual”, avalia o especialista. Otimista, Elliot aposta que o movimento de maximizar a estamparia deve aparecer novamente nos lançamentos de verão 2013, principalmente nas coleções de jovens estilistas.

A semana de moda inglesa ganhou novo fôlego, justamente, com a chegada de criadores que não têm medo de ousar nas estampas. Mary Katrantzou, nova darling dos fashionistas britânicos, é o melhor expoente do segmento, seguida de perto por Jonathan Saunders, Christopher Kane e Erdem Moralioglu –só para citar alguns nomes.

Em fevereiro passado, durante a apresentação das coleções de inverno 2013, o time do print foi dividido em duas categorias: os que investiram em florais com aparência retrô contra os que abusaram de grafismos nada óbvios. Em comum, o auxílio luxuoso da tecnologia. Logo depois de seu desfile, Erdem contou à Harper’s Bazaar que os comentados florais são resultado de um processo digital – o que não significa que a forma tradicional tenha sido descartada. Obcecado por estampas desde que estava nos bancos da Royal College of Art, o estilista canadense tem uma boa justificativa para o uso constante de prints digitais. “É uma maneira rápida de criar tecidos exclusivos”, diz.

Karen Fuke, diretora criativa da Triton, segue a mesma linha de raciocínio de Erdem Moralioglu. “A estamparia digital é um recurso com possibilidades infinitas. A qualidade do trabalho permite resultados mais reais e elaborados. Por causa da resolução e do alto grau de vivacidade, somos incentivados a usar movimento, texturas, volumes e explorar, de certa forma, o maximalismo”, conta Karen, que faz questão de frisar que os recursos tecnológicos ficaram mais presentes desde que a grife se tornou parte do grupo AMC.

A Espaço Fashion, das irmãs Camila e Bianca Bastos, começou a levar a sério o poder das estampas em 2008, quando a marca estreou no Fashion Rio. A evolução foi gradativa e, hoje, a grife tem uma equipe que cuida só desse setor. “Quando começamos uma coleção, damos atenção, primeiramente, para o desenvolvimento dos prints, já que temos ótima aceitação comercial”, diz Camila. Mas, na hora de adotar a tendência, é preciso certa cautela. “Existem estampas para todos, mas a escolha não pode ser aleatória. O sucesso do total print depende da estampa certa na peça certa”, ensina Karen Fuke.