Em seu escritório, no Itaim, Julia usa brincos de ouro e pérolas, R$ 16.200, e pulseira de ouro, pérola South Sea e diamantes, R$ 14.310, de sua marca - Foto:Deco Cury/Harper's Bazaar Brasil
Em seu escritório, no Itaim, Julia usa brincos de ouro e pérolas, R$ 16.200, e pulseira de ouro, pérola South Sea e diamantes, R$ 14.310, de sua marca – Foto:Deco Cury/Harper’s Bazaar Brasil

Por Vívian Sotocórno

Chego ao ateliê de Julia Blini, no Itaim. Sou recebida por Doris, sua basset. Julia dispara até a porta – agilidade que não combina com uma grávida de sete meses, logo penso. Lançar sua própria marca de joias a essa altura do campeonato, tampouco. Mas bastam cinco minutos de papo para perceber que tudo nela é intenso. Quando deixou um prestigiado emprego na área de criação da Jimmy Choo, em Londres, e voltou para o Brasil, Julia poderia ter lançado uma marca de sapatos por aqui. Faria sentido. Mas, com a vontade de fazer joias, se internou em uma graduação no ilustre Gemological Institute of America, em Nova York, e reservou um ano para planejar cada detalhe da marca homônima, lançada agora, com vendas em horário marcado. “Uma leitura moderna de referências étnicas e 70’s, minhas paixões”, define.

À primeira vista, tenho dificuldade de entender como as modernas pérolas de Julia, linha mais autoral desta coleção de estreia, conversam com o tal mood étnico. Nas mãos da designer, elas aparecem em peças zero clássicas, que priorizam o design às pedras. Para provar suas referências, um moodboard repleto de criações de Yves Saint Laurent, Halston e da designer de joias francesa Suzanne Belperron, famosa no século passado por suas peças extravagantes e avant-garde. “Lá fora, aprendi a não criar apenas em cima de um insight. E, sim, a partir dele, reunir uma ampla pesquisa. A criação é autoral, mas o processo precisa ser justificado”, pondera. Um anel de formas sinuosas, que lembra um babado, acabara de chegar do ourives – a peça está sendo projetada há seis meses.

"1-Brincos

Seu desenho nasceu a partir de um teste de moulage em tecido (herança talvez de seus anos de estudo em fashion design, entre a paulistana Santa Marcelina e o parisiense Studio Berçot). Do primeiro esboço para cá, foram dezenas de protótipos e desenhos técnicos detalhadamente feitos à mão, cada um cercado de anotações tão específicas que seria simplesmente impossível algo não sair como imaginado. “Sou CDF mesmo.Fiz questão de estudar de ourivesaria à pureza das pedras antes de começar. Não teria coragem de assinar meu nome em algo em que eu não tivesse profundo conhecimento do processo”, conta. Mesmo na linha declaradamente mais comercial, nada é simples. Um anel em espiral pode ser usado sozinho ou encaixado a um segundo; um outro modelo, de diamantes, tem o desenho como de uma onda. Até o clássico pingente de esmeralda foge ao padrão. Em suas mãos, os diamantes que o rodeiam são cravados em uma base elevada e parecem flutuar.

Um brinco de argola com pérolas espetadas por toda a sua extensão é seu atual xodó. “Quero fazer versões de coral, turquesa, ônix, pérolas negras com brancas…”, dispara. A empolgação é tanta que não consigo imaginá-la quieta nem quando Olivia, sua primeira filha, nascer. “Talvez use a licença-maternidade para bolar uma linha infantil. ‘Blini Mini’, imagina?” Sim, posso imaginar, Julia.

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