Nas pontas, anéis de platina e esmeralda da coleção Blue Book. Ao centro, anel de platina, esmeralda e diamantes amarelos - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Nas pontas, anéis de platina e esmeralda da coleção Blue Book. Ao centro, anel de platina, esmeralda e diamantes amarelos – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Vivian Sotocórno

A única informação que tinha era a de que uma explosão de cores, em algumas das joias mais exclusivas e valiosas do mundo, me aguardava em um dos sete andares do tão conhecido prédio da Tiffany, na 5ª Avenida. Estava ali, naquela manhã gelada de janeiro, para conhecer, antes de todos, a nova coleção Blue Book, como é chamada a alta-joalheria da grife, que só este mês será revelada para as clientes da marca.

As peças são a tradução de tudo que, em um universo em que não existem limites, uma grife como a Tiffany é capaz de criar. Este mês, quando a coleção for lançada, cerca de trezentas das mais importantes clientes no mundo estarão em Nova York, a convite da própria Tiffany. Após um baile de gala, elas terão dois dias para escolher, em private appointments (que têm seus primeiros horários disputadíssimos), o que, entre as mais de 160 peças da coleção – com preços entre seis e sete dígitos –, querem levar para casa. Passado o final de semana, muito provavelmente não vai sobrar um item sequer para ser encaminhado às lojas. Pelo contrário, parte das convidadas terá de se contentar com uma “simples” joia da coleção regular.

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Foto: divulgação

Minha fonte tinha razão. Na contramão da valorização do design clean, no metal polido, que inundou o universo das joias ultimamente, a Tiffany mostra que, na alta-joalheria, o mais nunca é menos. “As pedras têm sua própria personalidade”, me conta, no dia seguinte, John Loring, diretor de design emérito da Tiffany. Por isso, geralmente, o design das peças parte delas.

Para o Blue Book de 2014, a marca trabalhou com pedras que não costumam fazer parte de seu repertório de alta-joalheria, como cristais de rocha e opalas negras. “A Tiffany tem uma grande tradição em buscar novas pedras. As tanzanitas, hoje tão na moda, foram descobertas por nós em 1968. É uma pedra muito, muito bonita. Não à toa, o resto do mundo logo a adotou”, conta John. Este ano, a marca trabalhou a natureza como tema, espalhando flores, borboletas e libélulas pelas peças, que podem passar até um ano nas mãos de um mesmo artesão para serem concluídas.

Um hipnotizante diamante roxo, em uma perfeita lapidação princesa, chama a atenção em um dos anéis. Nunca havia visto uma pedra dessa cor. E, provavelmente, dificilmente verei de novo. Não que os diamantes roxos não existam, mas encontrar um pedra como essa, com a perfeição exigida pela Tiffany, é, isso sim, raríssimo. A obsessão pela qualidade das pedras é um dos pilares mais importantes da marca – seja em uma peça do Blue Book ou no menor dos diamantes de um anel de noivado. Por causa disso, muitas joias passam anos esperando para sair do papel, até que se encontrem as pedras perfeitas para elas. Várias, vale dizer, nunca saem. A articulação e fluidez das peças é outro ponto importante. “Desenhamos as joias para serem usadas – e elas precisam se mover com a mulher, o tempo todo”, explica John.

Diretor criativo da Tiffany durante três décadas, desde que se aposentou, em 2009, John atua como diretor emérito. Seu antigo cargo esteve livre até setembro passado, quando a inglesa Francesca Amfitheatrof foi contratada. A primeira coleção oficial de Francesca deve ser apresentada ainda este ano. Clientes e diretores da grife esperam, ansiosos, para ver o que a designer será capaz de criar.