Foto: Alexandre Virgílio/SiteRG
Foto: Alexandre Virgílio/SiteRG

Por Camilla Bello

Na ultima quarta-feira (08.04), Patricia Bonaldi passou pelo Minas Trend, em Belo Horizonte, para acompanhar de perto o desfile de verão 2016 de Lucas Magalhães. A grife homônima do estilista faz parte do grupo Nohda, comandado por Patricia e seu marido Luis Morais.

Com base em São Paulo, a holding, lançada em novembro de 2014, atualmente agrega, além da PatBo e Patricia Bonaldi, as grifes Apartamento 03, de Luis Cláudio, e a Lucas Magalhães, todas mineiras. Minutos antes da apresentação, a designer bateu um papo com a Bazaar, no qual revelou projetos futuros do grupo, além de entregar um preview exclusivo do que está preparando para a próxima segunda (13.04), dia em que sua marca mais jovem sobe à passarela do SPFW. Confira:

Harper’s Bazaar – O que o Nohda representa para você? E o que mudou nesses seis meses, desde que foi criada?
Patricia Bonaldi –
Entre todos os projetos que eu abraço, o grupo Nohda, hoje, é o meu favorito. Estou muito envolvida com ele. Ainda mais agora que o Lucas mudou para São Paulo e está trabalhando no meu ateliê, usando um pouco da minha estrutura e modelagem. Era assim que eu imaginava e gostaria que as coisas estivessem. Acontece uma troca real entre nós. Não é só um investimento financeiro.

HB – Agora que o Lucas está mais próximo, você participa do dia a dia e do processo criativo da marca dele?
PB –
Eu nunca criei para o Lucas. Ele é um superestilista, tem um DNA muito bem definido e, claro, toda liberdade. Mas eu dou opiniões e passamos horas trabalhando juntos. A mais recente coleção dele foi resultado de uma troca muito legal, desde a escolha dos tecidos, até a prova das peças. Essa para mim é a parte mais gostosa.

HB – Você pretende agregar outras marcas ao grupo?
PB –
 Sim, pretendo, mas esse ano quero me dedicar a eles. Não quero fazer nada de forma irresponsável e sair simplesmente comprando outras marcas. Apesar de estarmos conseguindo resultados muito legais (as marcas já estão sendo exportadas), ainda temos um trabalho longo pela frente.

HB – Como você escolhe as marcas que vão participar da holding?
PB –
A escolha do Luis (Cláudio) veio de uma paixão, um respeito e admiração por ele e seu trabalho, foi puramente instintivo. Eu já o conhecia há muito tempo, é um amigo de longa data. Já o Lucas foi um amigo que me indicou, o Pedro Lázaro (arquiteto mineiro responsável pela cenografia do Minas Trend). Seu espírito jovem me conquistou e me fez achar que ele poderia ser a pessoa perfeita para começar uma história como tem que ser, do começo.

HB – O que essas marcas têm em comum?
PB –
DNA definidos. Cada uma tem a sua personalidade.

HB – Além da parceria com a Claudia Arbex, designer de joias que, pela segunda vez, assina os acessórios do desfile da sua grife, a PatBo, para o SPFW, quais outras novidades podemos esperar na passarela? O que vai surpreender?
PB –
Acho que todos vão se surpreender com o shape. Geralmente eu renovo nas escolhas dos tecidos, dessa vez eu mudei a modelagem. As mulheres que consomem minha marca estão acostumadas com peças justas e próximas ao corpo. Preparem-se para algo muito diferente disso. Os anos 60 darão o tom da coleção. O couro também é uma das grandes novidades. A coleção inteira está muito fresh e cool. Eu estava com muita vontade de fazer anos 60. Resolvi desapegar do justo. Tem uns dois ou três looks que são mais ajustados, mas ainda assim eles estão fora do que eu costumo lançar, são midis quase longos. Têm também dois looks mais anos 50, com saia mullet.

HB – De onde veio o insight para essa renovação? É um momento de amadurecimento pessoal seu, como pessoa, ou da marca?
PB –
Acho que as duas coisas conversam. Foi uma evolução de estilo. Eu estava com vontade de mudar, e mudar com alegria. Por isso, esperem por uma coleção muito alegre e colorida.

HB – Recentemente você assinou duas grandes parcerias que vêm sendo sucesso absoluto: uma de lingeries com a Valisere e outra de joias com Mario Pantalena. O que essas coleções agregam para a Patricia Bonaldi e PatBo?
PB –
Fazer um produto que eu não tenho nenhum know how, como, por exemplo, lingeries, algo que eu nunca tinha feito, agrega tudo. É desafiador e gostoso. Eu gosto muito de aprender, e ver a marca transferindo e conquistando outros valores é muito válido.

HB – O seu crescimento profissional é muito evidente. Suas grifes conquistaram o mercado e  seguem gerando desejo instantâneo em grande parte do público feminino. Suas peças são exportadas e já cruzaram red carpets internacionais. Hoje você é, inclusive, capaz de ajudar outras marcas, mais jovens e menos experientes, a seguirem o mesmo acertado caminho que você seguiu… Quando você para pra pensar em tudo isso e imagina o futuro, onde sê vê? Onde pretende chegar e estar em 10 anos, por exemplo?
PB –
Chegar onde eu estou hoje não foi planejado. Eu nunca faço grandes planos, só não quero estar estagnada. Se eu tiver a sensação de que cresci, estarei feliz. Quero estar bem organicamente, passo à passo, etapa por etapa.