Da esq. para a dir. Cássia Ávila, Michelli Provensi e Carol Ribeiro vestem looks Reinaldo Lourenço (no centro) - Foto: Bob Wolfenson
Da esq. para a dir. Cássia Ávila, Michelli Provensi e Carol Ribeiro vestem looks Reinaldo Lourenço (no centro) – Foto: Bob Wolfenson

por Sylvain Justum

Um dos principais nomes da moda brasileira, Rei­naldo Lourenço aproxi­ma-se das quatro déca­das de carreira a fim de fazer festa. Reconhecido pelas coleções repletas de belas ideias para o dia, é com a noite que ele, atualmente, ocupa boa par­te do seu tempo. Não se engane, Reinal­do não anda passando madrugadas em claro, de clube em clube, se acabando na pista de dança. Pelo contrário, o estilista tem trabalhado – e muito – na intenção de tornar mais glamorosos os momentos de celebração da mulher brasileira. Sua li­nha de vestidos de festa é um sucesso de vendas, cresce estação após estação – já é responsável por 50% de seu faturamento – e conquista uma parcela cada vez maior de clientes em busca de brilhar com ele­gância em todo tipo de evento. Com mão leve para ornamentos, Reinaldo se­duz as adeptas do menos é mais com tra­ços limpos e um olhar sofisticado.

“Prefiro aparecer pelo design do que pelo brilho”, afirma. Avesso aos fre­quentes exageros associados à moda fes­ta no Brasil, ele se esmera na construção da silhueta e em bordados elegantes fei­tos à mão. “Existe uma linha muito tê­nue entre o over e o chic quando o as­sunto é noite”, opina. O designer conhece bem os códigos das festas e o que favorece suas clientes. “É preciso valorizar sem ultrapassar a fronteira do bom gosto. Vestir bem o busto e ser sexy, sem cair no vulgar, é fundamental.” En­tre as matérias-primas preferidas está a seda em todas as suas facetas: georgette, cetim ou crepe. Em geral, os vestidos custam menos do que os das grifes es­trangeiras, dependendo, sempre, das modificações pedidas pela cliente. “Ten­to praticar um preço justo”, diz Reinal­do. Um modelo “de linha” leva, em mé­dia, cinco dias para ficar pronto, enquanto encomendas especiais podem demorar meses sendo lapidadas pelas costureiras no ateliê de Pinheiros, em São Paulo. No ano passado, um vestido de casamento, inspirado em princesas russas, inteirinho coberto de pérolas, exigiu seis meses de trabalho e foi feito para uma noiva de apenas 20 anos.

Reinaldo faz sucesso também em for­maturas, vestindo clientela cada vez mais jovem, que não encontra nas labels de fora a melhor relação custo-benefício. Um modelo internacional, além de mais caro, não é pensado para o corpo da bra­sileira e nem carrega embutido o serviço e a atenção que ele pode dar antes e de­pois da compra. A modelo e apresenta­dora Carol Ribeiro é fã desse cuidado. “O Reinaldo é muito detalhista e não libera o vestido até que ele esteja impe­cável.” Já a jornalista Cássia Ávila, cliente e amiga do estilista, enaltece o estilo: “São peças atemporais, que me rendem elogios em qualquer parte do mundo”. Todo esse know how conquistou tam­bém a empresária Ana Paula Junqueira, que abastece, regularmente, na loja da rua Bela Cintra, nos Jardins, seu closet festivo. “Tenho uns dez vestidos dele”, conta. Eventos para pensar em produ­ções especiais não faltam. “A brasileira sente necessidade de investir quando vai a uma festa. Ela gosta do processo. É um fenômeno nosso. Na Europa, a mulher anda montada durante o dia e vai direto para um jantar”, explica Reinaldo, que mantém no computador da loja um schedule das principais festas paulistanas e controla, minuciosamente, o fluxo de vendas de seus vestidos. Tudo para impe­dir a desagradável coincidência de uma cliente esbarrar com outra, na mesma festa, usando o mesmo modelo. “É o pior que pode acontecer.”