FF Vertigo: conheça a coleção-cápsula da Fendi em colaboração com Sarah Coleman
Foto: Divulgação

O senso artístico e as sacadas inteligentes com pitada de ironia nas obras de Sarah Coleman já tinham cativado Silvia Venturini Fendi no ano passado, quando a multiartista envelopou a boutique da Fendi com seu ethos no Design Miami, nos Estados Unidos. A segunda etapa da parceria com a artista nova-iorquina, agora estampada em bolsas, acessórios e peças de roupas, se deixa levar pelo sonho psicodélico e libertador do setentismo.

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“Sarah não apenas valoriza a construção, mas se desafia com um humor subversivo”, explica, em entrevista à Bazaar, a diretora artística de acessórios e moda masculina da casa que carrega no sobrenome. “Adoramos novos designers, que compartilham nossos valores e dão seu toque pessoal”, diz Silvia.

FF Vertigo: conheça a coleção-cápsula da Fendi em colaboração com Sarah Coleman
Sarah Coleman – Foto: Divulgação

Em tons azul e amarelo, a coleção FF Vertigo, do ready-to-wear, desembarca neste mês no Brasil com ilusões de ótica e texturas para lá de irreverentes. Apesar da vertigem ser o mote da cápsula, Sarah não gosta de desafiar seus medos exageradamente. “Não quero pular de um avião ou algo do tipo, não sou viciada em adrenalina”, desconversa. Sabe, no entanto, que as pessoas evoluem ao encarar seus medos. E abraçou o conceito. “Segura e aberta à inspiração e à criatividade”, resume. Por isso, mergulhou no acervo da Fendi, onde encontrou incontáveis imagens, materiais, desenhos e peças que transformaram a marca no sucesso que é hoje. “Silvia me pediu para ser disruptiva, quebrar barreiras e sair fora da caixa. Amo isso. Fui encorajada a ser eu mesma”, acrescenta.

Conectada de corpo e alma com o projeto, essa ressignificação está presente em forma de surpresa na collab com a Fendi: alguns dos materiais brilham no escuro. “Esse tipo de coisa me traz alegria. Um pequeno segredo que só você sabe e ninguém tem ideia até que aconteça”, diverte-se. A mágica vem ao apagar das luzes. “Toque libertador e jovem, que nos guia para um lado da infância.”

FF Vertigo: conheça a coleção-cápsula da Fendi em colaboração com Sarah Coleman
Silvia Venturini Fendi – Foto: Divulgação

Por falar em criança, foi durante o lockdown que Silvia, ao lado da família, sentiu que precisava voltar ao início de sua trajetória, conectando-se às coisas simples, dos bastidores fashion, ensinados de uma geração a outra. “Em um momento dramático, falar de moda só pelos termos de roupa não é apropriado. Mais relevante é falar sobre valores conectados a ela”, conta a estilista da terceira geração da família, filha de Anna, das Fendi Sisters.

Sarah é o tipo de artista que entra em transe quando se empolga com algo. É notável sua atuação no resgate de peças antigas, dando novo valor a elas. Em seu Instagram, tem-se ideia do que ela faz ao revestir móveis e cadeiras dobráveis com lonas de malas que se  deterioraram ao longo dos anos ou reinterpretando peças que até então eram tratadas como simples objetos.

“Gosto de confundir os limites  entre moda, arte e design. É muito orgânico”, diz sobre sua essência, com pitadas de humor e ironia. Nada para ela é calculado ou planejado. Entre tentativas e erros, baseia-se no sentimento que a peça transmite depois de pronta. Transformar algo comum em extraordinário virou  assinatura de seu legado. “Utilidade e luxo não são conceitos que geralmente andam juntos, mas acho interessante e necessário.”

Para Sarah,  a vivência de agora põe luz no passado, tentando criar conceitos avant-garde, usando técnicas e materiais já existentes. Ou seja,  reaproveitamento é sua essência. “Amo pesquisar e aprender, me relacionar com o antigo, usando materiais vintage em contraste.” Inspirada por técnicas manuais, vê-se confrontada pela efemeridade das coisas feitas para não durar. “Isso está matando o universo dos artesãos. Estou muito inspirada pela cultura japonesa porque há um respeito inato quando se trata de enaltecer objetos do cotidiano e tento trazer isso para o meu trabalho.”

Da alta-costura ao design industrial, ela acredita que o bom trabalho se prova quando você escuta sua intuição. “Ter uma agenda para agradar outras pessoas ou trabalhar apenas para fazer dinheiro fica evidente no produto final”, conclui. Nessa linha, Silvia acredita que a moda precisa se tornar mais sobre as pessoas e menos sobre o processo – movimento parecido vem acontecendo com a preocupação com a comida que chega em nossas mesas. “Não podemos apenas sonhar em mudar o futuro, devemos ser aqueles que ajudam a moldá-lo”, complementa. Assim, Sarah e Silvia estão plantando suas sementes de futuro, respeitando as origens e preocupadas com o legado das próximas gerações.

Inseparáveis

A icônica bolsa Baguette 1997, criada por Silvia, ganha reedição com laterais estreitas e uma alça ajustável e flexível, para usar debaixo do braço. Quando criado, o acessório era a antítese do minimalismo dos anos 1990 e, por isso, virou atemporal. Além do famoso modelo, ganham novas releituras, de crochê a paetês, a mini bolsa Bauletto, a Mini Sunshine Shopper, Peekaboo X-Tote, além da Peekaboo ISeeU em dois tamanhos. Há ainda peças masculinas e infantis na colaboração.