Foto: divulgação
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Por Luigi Torre

A próxima semana de moda nova-iorquina, em setembro, terá uma grande baixa. Donna Karan, a estilista que definiu o guarda-roupa de trabalho da mulher moderna, deixou a direção criativa da marca que fundou em 1984 e a vendeu para o grupo LVMH em 2001. A notícia, de fato, não foi um grande choque. Desentendimentos entre a designer e executivos do conglomerado de luxo já eram sabidos, públicos até. Mas um comunicado oficial surpreendeu: a marca está suspensa por tempo indeterminado e nenhum substituto será apontado de imediato.

O foco, agora, é na linha DKNY, que, desde abril, tem Osborne e Dao-YiChow, da label Public School, como diretores de criação. “A LVMH e eu tomamos essa decisão depois de muitas reflexões. Cheguei a um ponto em minha vida em que preciso gastar mais tempo para cuidar do Urban Zen [instituto filantrópico criado por ela], e seguir minha visão de filantropia e do comércio”, disse Karan, em depoimento oficial. Junto com Calvin Klein e Ralph Lauren, Donna Karan criou uma das primeiras marcas globais dentro da semana de moda de Nova York.

Em 1985, ao lançar sua Seven Easy Pieces, coleção composta por uma série de peças de jérsei, cashmere e bodies, revolucionou o modo como as mulheres se vestiam para trabalhar (algo equivalente ao que Giorgio Armani fez com o terno masculino na mesma época). Para toda uma geração, a estilista era quase como uma heroína.

Ao propor um guarda-roupa prático e com peças intercambiáveis, deu a elas – e a si – soluções eficazes: um uniforme que servia para ser mãe, mulher, empresária de sucesso, avó, namorada… Enfim, uma roupa que compreendia, pela primeira vez, a totalidade múltipla do que é ser mulher. “Donna Karan New York é parte de mim, do meu passado, presente e futuro. Foi uma honra poder falar, de mulher para mulher, com as Seven Easy Pieces, que mudaram, para sempre, o modo de vestir delas.”