Colar de esmeraldas, safiras, rubis e diamantes da Bvlgari - Foto: reprodução/Bazaar
Colar de esmeraldas, safiras, rubis e diamantes da Bvlgari – Foto: reprodução/Bazaar

Por Ligia Carvalhosa

Bordadas em tule na Giambattista Valli, tecidas em coroas no ateliê Versace e estampando vestidos pintados à mão no jardim das delícias da Dior. As flores dominaram os desfiles de verão 2016 de alta-costura e invadiram a alta-joalheria. Foi assim, entre pétalas de maxiesmeraldas, rubis e safiras, que a Bvlgari recebeu Bazaar em Paris para apresentar, em primeira mão, sua mais nova coleção – não por acaso, inspirada nos gramados da Renascença italiana. “Estava reunida com a minha equipe em um jardim e vi ali o ponto de partida perfeito”, explica Lucia Silvestri, diretora criativa da casa. “É um resgate da história da Itália, sem ser caricato.”É também verdadeiro tributo à primavera, com mais de cem preciosidades que lembram o movimento da água e as estátuas desse oásis artificial. Em outras palavras, o zeitgeist do momento traduzido em altíssimos quilates – e minucioso trabalho manual.

Colar de ouro com safiras, espinélios e diamantes - Foto: reprodução/Bazaar
Colar de ouro com safiras, espinélios e diamantes – Foto: reprodução/Bazaar

Boa parte disso vem da exclusividade e da delicadeza de suas gemas, muitas delas coletadas ao redor do globo e ao longo dos últimos quatro anos. O trevo de quatro folhas, por exemplo, demorou mais de 12 meses para ficar pronto e quase não saiu do papel.“Até o último momento não sabíamos se conseguiríamos encontrar a esmeralda certa para lapidar a última pétala”, explica Lucia.“Somos verdadeiros jardineiros. As pedras são como as sementes. Fazemos as composções e lapidações que transformam gemas em joias.A natureza é, ao mesmo tempo,nossa fonte de inspiração e matéria-prima.”

Brincos de esmeraldas e diamantes - Foto: reprodução/Bazaar
Brincos de esmeraldas e diamantes – Foto: reprodução/Bazaar

São 100 peças que combinam formas orgânicas com a geometria do art déco, pedras supercoloridas com diamantes e composições monocromáticas. Uma mistura pop-tradicional, que se torna chave não só para a sobrevivência da marca, mas para esse seleto segmento de luxo. Sim, joias são investimentos atemporais, mas não são imunes aos desejos de uma clientela em constante evolução – e expansão.“Para nós, todos os mercados são importantes, não dependemos de um nicho só, e isso nos dá sobrevida. Queremos ser desejados mundo afora”, explica o CEO, Jean-Christophe Babin, sobre a estratégia de fidelizar consumidores espalhados por países de culturas tão distintas como os pertencentes ao Oriente Médio e Brasil.

Bracelete de platina com madrepérola, esmeraldas e diamante - Foto: reprodução/Bazaar
Bracelete de platina com madrepérola, esmeraldas e diamante – Foto: reprodução/Bazaar

“Não tenho apenas um tipo de cliente. Quando crio, penso em mulheres fortes, independentes e confiantes, mas sempre femininas e delicadas”, diz Lucia. Italiana típica, ela entrou para a marca 35 anos atrás e viu o negócio de dois irmãos crescer e se transformar em uma das casas mais poderosas do métier – e, hoje, parte do conglomerado de luxo LVMH.“A beleza de nossas joias aparece quando são usadas por mulheres reais”, completa Babin. Especificamente sobre o Brasil, os planos são ambiciosos: queremos abrir uma nova loja”, entrega. O local exato ainda é incerto, mas, segundo ele, provavelmente no Rio de Janeiro. Já é!