Patricia Bonaldi - Foto: Mariana Moltoni
Patricia usa top Apartamento 03; trench coat Lucas Magalhães; anéis PatBo para Maria Dolores e sapato Céline – Foto: Mariana Moltoni

Por Carol Sganzerla

Ela é, sem dúvida, um dos nomes mais importantes e influentes da moda nacional. Doze anos depois de criar a marca homônima, que se tornou referência em vestidos de festa com bordados, hoje está no comando do Nohda, um dos poucos grupos de moda do País. Com duas etiquetas já consolidadas, – a Patricia Bonaldi e a PatBo, esta última lançada em 2012, mais casual e fashionista –, surgiu a vontade de apoiar estilistas que ainda não tinham estrutura para desenvolver seus trabalhos. Caso do estilista Lucas Magalhães e da Apartamento 03, de Luiz Claudio Silva, ambos mineiros, como ela. “O objetivo era fomentar a moda brasileira”, diz. “Além disso, queria unir nomes que pudessem trocar entre si, para cada vez mais criarem algo melhor”, acrescenta. Fundado no final de 2014, o nome do grupo tem origem nipônica: Noh, significa forma e função em japonês, unido ao “da”, da palavra moda. “É muito do que penso quando desenho uma roupa: tem que ter uma forma interessante, mas também uma função. Não gostaria de criar peças que as pessoas não conseguissem usar.”

Patricia acredita que a força de sua holding (ano passado, o faturamento aumentou 15%) está na possibilidade de troca entre os estilistas. De ideias de estilo à estrutura, passando pela técnica, quer que todos se reúnam para negociar em grupo. “Isso traz benefícios individuais e também para a minha carreira”, diz. Em comum, a Apartamento 03 e Lucas Magalhães têm uma identidade forte, que passa longe das tendências – portanto, mais difíceis de comercializar, o que não impede que a empresária continue dando a eles liberdade de criação.

Na visão dela, cada grupo de moda influencia o mercado de determinada forma. Alguns têm maior relevância no campo comercial, outros ditam mais tendências. “O interessante não é analisar o conglomerado, mas sim o poder e o potencial de cada marca. Quando você começa a trabalhar pelo poder do grupo, elas perdem força”, analisa a mineira, que escolheu como sede um prédio de três andares – onde antes funcionava um antiquário – na rua da Consolação, próximo à Oscar Freire, em São Paulo. No topo, há um grande terraço, e ali fez questão de homenagear sua terra colocando piso de pedra-sabão.
Cada detalhe e cada passo decidido pela empresa passa pelo crivo de Patricia, que tem como sócio Luiz Morais, seu marido há 17 anos. “Não enxergo diferenças entre uma empresa comandada por uma mulher ou por um homem. No meu caso, o interessante é acumular funções de estilo e gestão. Isso considero favorável”, diz. E completa: “Sei que hoje tenho um poder maior de influência no mundo da moda, porém, este não é o objetivo, é apenas consequência do trabalho construído com a minha equipe”, enfatiza.
Atualmente, o Nohda tem 250 funcionários, entre a fábrica, em Uberlândia, o ateliê, as lojas e o showroom. Somando a marca homônima e a PatBo, são 180 pontos de venda espalhados pelo Brasil e 36 no exterior. Desde 2010, quando começou a exportar seus vestidos, as vendas aumentaram 1.400%. No fim do ano passado, agregou mais um segmento a seu pequeno império e lançou a Patricia Bonaldi Bride, composta da linha prêt-à-porter e de encomendas sob medida. E quais os planos futuros? “O foco será o varejo”, finaliza.