A sandália Bijoux – Foto: Reprodução/Instagram/@gianvitorossi

Por Jorge Wakabara

“Para uma mulher, um sapato é como uma roupa de baixo, é muito íntimo. Mas ao mesmo tempo todo mundo o vê. É parte muito relevante do look”. E, imagine, Gianvito Rossi nasceu entre sapatos, possuindo uma intimidade indescritível com eles. É filho de Sergio Rossi e trabalhou com o pai durante 20 anos, antes de decidir seguir um caminho autoral em 2006. “Faz tanto tempo, não consigo te dizer quando realmente tudo começou! Acho que o primeiro calçado que criei para ele foi uma sandália com salto, provavelmente. É difícil distinguir exatamente quando comecei”, ele explica, por telefone, diretamente da Itália, à Bazaar.

Mas a primeira coleção que criou sob sua etiqueta própria e homônima é outra história, que ele se lembra bem: “Já quis um ponto de vista e estética bem claros. O melhor e mais simples calçado é o escarpin, e o meu incorporava minha visão em termos de proporção, forma e estética. O modelo 105, com um salto bem alto, bico pontudo e uma variedade de cores de camurça foi o início.”

A usabilidade, para Rossi, sempre foi um elemento próprio da qualidade. É por isso que seus sapatos são conhecidos por serem confortáveis, apesar do tamanho dos saltos. “Se não é um prazer calçá-lo, não é um luxo”, define. “Obviamente, um sapato de salto alto nunca vai ser tão confortável quanto um tênis, mas para mim é importante cuidar disso da melhor maneira que pudermos. Quando você usa um salto, é importante seguir sorrindo e não chorando!”.

Ele também explica que sempre procura por soluções e desenhos originais, e acredita que esse é o segredo para criar um calçado de design mais perene, eterno: “A mulher não quer algo para usar uma ou duas vezes e que em seguida já a deixe entediada.”

Os escarpins clássicos de Gianvito Rossi – Foto: Reprodução/Instagram/@gianvitorossi

É fácil apontar os destaques entre as criações de Rossi desde o começo, uma vez que ele possui uma linha deles chamada Signatures. Além do escarpin 105, ele cita a sandália Portofino, uma reinterpretação da clássica sandália de festa lançada pela primeira vez na virada dos anos 2010: “Mudei as proporções, deixando-a mais geométrica, com linhas mais limpas”. E também tem a botinha Vamp, que traz um peep toe e uma espécie de decote para o peito do pé, criada há alguns anos: “Quis dar confiança e força combinadas com elegância e sensualidade.”

Entre os lançamentos mais recentes, o designer aponta a sinuosa sandália Metropolis com tiras semitransparentes, que abraçam o pé de maneira “alongada e dinâmica”, nas palavras dele próprio, e a Bijoux, que explora a tridimensionalidade das tiras, incluindo um volume arredondado nelas.

Antes da pandemia, Gianvito Rossi via as tendências de sapato correndo em direção ao streetwear e casual. Quando o distanciamento social chegou, a trend se consolidou: “E foi por causa dessa mudança no estilo de vida. Não tivemos mais a chance de ser sociáveis”. Ele garante que o look para o lazer deve continuar como parte importante do nosso guarda-roupa, mas, em breve, deve correr lado a lado com uma tendência de sapatos muito femininos – “quando finalmente sairmos e tivermos momentos divertidos e excitantes, com mulheres recuperando o prazer de calçar um bom salto para uma festa”.

Rossi ainda dá pistas: metálicos, brilhos. Soa festivo para você? Ele não disfarça o desejo de volta pela vida social e inclui expansão de pontos de venda físicos nos planos para o futuro, pois considera esse contato direto com as clientes essencial. As criações com sua etiqueta já estão disponíveis no Brasil via site CJFashion, do Shopping Cidade Jardim e Shops Jardins.