Designer apresenta sua última coleção para a marca durante a Semana de Moda de Milão e segue no comando criativo da Maison Margiela. Foto: Divulgação

Glenn Martens está de saída da Diesel. Depois de quase seis anos como diretor criativo da marca italiana, o designer belga apresentará sua última coleção no dia 22 de setembro, durante a Semana de Moda de Milão.

Martens assumiu o posto em outubro de 2020, em um momento de reposicionamento da Diesel. Desde então, transformou o denim, principal código da casa fundada por Renzo Rosso, em território para experimentações que passaram por peças desgastadas, tratamentos pouco convencionais, transparências, proporções exageradas e uma sensualidade menos polida.

A relação do estilista com a Diesel, porém, começou antes. Em 2018, ainda à frente da Y/Project, Martens participou do projeto Red Tag, série de colaborações criada pela marca com designers convidados.

Sob seu comando, a Diesel também passou a investir em desfiles pensados para extrapolar a passarela. Pense nos que tomaram conta das redes como a montanha de preservativos, toneladas de retalhos de jeans e, mais recentemente, modelos circulando por Milão dentro de estruturas transparentes em formato de ovo. Os espetáculos ajudaram a colocar a marca novamente no centro da conversa de moda, gerando desejo e relevância.

Designer apresenta sua última coleção para a marca durante a Semana de Moda de Milão e segue no comando criativo da Maison Margiela. Foto: Divulgação

O movimento aconteceu também nos negócios. Em seu balanço de 2025, a OTB, grupo proprietário da Diesel, afirmou que a marca havia alcançado sua melhor rentabilidade em uma década após anos de investimento em seu reposicionamento.

A saída acontece enquanto Martens acumula outro dos cargos mais importantes do grupo. Desde janeiro de 2025, ele é diretor criativo da Maison Margiela, sucedendo John Galliano. Sua estreia na linha Artisanal aconteceu em julho do mesmo ano.

Com o último desfile de Martens, a Diesel encerra uma fase marcada pela tentativa de olhar para seus próprios códigos sem tratá-los como peça de museu. O jeans clássico ganhou seu protagonismo, mas apareceu rasgado, envelhecido, reconstruído e, muitas vezes, levado até o limite.