Foto: Divulgação

Quase três décadas separam o dia em que Glorinha Paranaguá lançou a marca de bolsas homônima, retomando o antigo sonho de trabalhar com moda, e a abertura, em outubro, da primeira loja em São Paulo, agora sob o comando da neta, Yasmine Aimée Paranaguá de Orleans e Bragança, e da nora, Naná Paranaguá.

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Entre um extremo e outro, a matriarca não só conferiu sofisticação a elementos próprios da brasilidade, como foi decisiva para lapidar o olhar da alta-sociedade para a beleza de materiais como bambu, que ela transformou em seu primeiro design autoral: uma clutch elegantíssima que é reeditada até hoje. Glorinha faleceu no ano passado, aos 89 anos, mas deixou como legado um acervo repleto de ótimas sacadas e a paixão incondicional das herdeiras por acessórios.

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A meta, agora, é rejuvenescer a marca sem abandonar o passado. Essa fusão de olhares se destaca no visual da loja, no bairro dos Jardins, com o tradicional vichy preto e branco dividindo espaço com o tom rosé e retratos de antigas campanhas.

Yasmine conta que o projeto sempre esteve no radar da avó, mas foi sua ida para a capital paulista, depois de anos morando em Singapura com o marido, o príncipe João Philippe de Orleans e Bragança, e os filhos, Mia Isabel e João Antônio, que criou condições para tirar a ideia do papel. Nas prateleiras, esta a coleção completa, começando pela safra verão 2021.

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Os novos modelos são resultado de um mergulho. Sem sair de casa, o imaginário é o de águas inspiradoras ao redor do mundo. E, simbolicamente, do olhar para dentro de si e dos valores ligados à marca – que vem também do período meio off, porque nem a pandemia impediu mãe e filha de lançarem os itens de inverno, os primeiros sem o aval da idealizadora da grife. Elas ainda acelerarem as máquinas para confeccionar máscaras para doar e presentear os amigos, além de tocarem a reforma da loja paulistana.

Para dar corpo à mais recente coleção, Yasmine e Naná reuniram palhas em tons de verde caribenho e de azul da costa carioca, texturas e estampas remetendo à areia, ostras e ouriços conversando com as criações. Uma brisa fresca traz novidades como o moiré, cujo efeito de ondas acentua a temática, alças longas que dão mais atitude aos cestos, franjas abusadas e couro com textura de caviar.

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Pochetes para serem usadas na cintura ou a tiracolo e a reedição da mochila dos anos 1990 reforçam a pegada urbana, enquanto os bordados seguindo os preceitos couture do ateliê parisiense Lesage, onde Yasmine estagiou, acrescentam um luxo discreto e, ao mesmo tempo, contemporâneo. Designer por formação e há dois anos cuidando do marketing e da comunicação, ela divide o estilo com a mãe, que também é responsável pela produção e está na marca há 15 anos. As duas contam que a fase atual inclui a ênfase em pequenos acessórios, nas vendas online e internacional e, em breve, uma linha casa.

A comemoração dos 30 anos da Glorinha Paranaguá, no ano que vem, deverá ser acompanhada de uma exposição com peças originais. Além da primeira clutch em bambu, não vão faltar as primeiras investidas da matriarca, as bolsinhas de cetim matelassado e passamanaria inspirados em Marrocos, último país onde a designer morou com o marido, o diplomata Paulo Henrique de Paranaguá, antes de voltar para o Rio.

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E, claro, os cestos de palha em referência ao hábito comum entre as parisienses – para driblar o desconforto da brasileira com a ausência de fecho, ela incluiu saquinhos de tecido. O mais bacana dessa história, conta Yasmine, é que, em torno da marca, existe o universo de três gerações, com mulheres fortes e expressiva afinidade estética.