Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Por Cibele Maciet

Com apenas 24 anos, e dois de marca homônima, Hugo Matha faz parte da safra de designers-prodígio que vem dando cara nova aos acessórios franceses. ele tem paixão pelos materiais nobres, pela arquitetura e pelo artesanato, e seu produto é resultado da junção de todas esses elementos. São clutches e miniaudières de madeira, acrílico, couro de cordeiro, pedra e metal. Materiais até usuais, mas que, nas mãos dele, ganham tratamento superluxuoso.

Não à toa, já foi indicado à categoria acessórios de moda do concurso ANDAM (espécie de Oscar para novos talentos), tornou-se queridinho e amigo íntimo de Carine Roitfeld e ganhou a concorrida vitrine da Colette com sua segunda coleção de bolsas (hoje, ele está na quarta). “Inspiro-me muito no design de objetos e na arquitetura, gosto de pesquisar e afinar as matérias brutas para extrair de cada uma delas sua essência mais sofisticada”, diz à Bazaar, em seu ateliê na rua Saint Honoré, em Paris.

Filho de produtores de vinho da região Deaveyron, sudoeste da França, de sorriso largo e intensos olhos azuis, Hugo descobriu desde cedo sua vocação. “Aos 18 anos, fiz estágio em uma marca, em Xangai, com enorme distribuição, e percebi que queria trabalhar com algo mais elaborado. Daí a vontade de fundar minha própria label”, conta. “Foi uma ótima experiência, mas não era para mim.amo as peças artesanais e o savoir-faire francês, queria explorar melhor esse universo.” De volta a Paris e aos estudos na famosa École Duperré, ele caiu nas graças do designer Jean Charles de Castelbajac e Olivier Châtenet (estilista e especialista em Yves Saint Laurent). A partir daí, não parou mais: dois anos depois, lançou sua marca.

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

“Minhas inspirações vêm da natureza e da arte contemporânea”, diz, sobre o que motiva a aptidão pelo desenho pouco usual de seus acessórios. “Amo artistas como Daniel Arsham, que trabalha materiais duros, mas com aparências flexíveis, e James Turrell. Sou apaixonado pelas estruturas de Richard Serra e Frank Gehry. Adoro a história da moda e dos costumes, e também os acessórios que foram elaborados por arquitetos, como as primeiras bolsas Delvaux.” Seu processo criativo, então, se aproxima do trabalho de um engenheiro. “Muitas ideias partem diretamente do material bruto e, às vezes, levam um ou dois anos para ficar prontas. sempre quis criar objetos de desejo que durassem, que passem de geração em geração, deixando um legado. É como as velhas malas de família.”

E o que o futuro te reserva, Hugo? “Em janeiro, apresento uma linha de bolsas masculinas de couro bruto e pedra, com costura à mão, bem no espírito da selaria. Também lanço meu prêt-à-porter em série limitada. Mais do que isso não posso revelar”, sorri, com frescor no olhar e longo caminho pela frente.