Campanha da coleção “Loveur – House Couture” de Igor Dadona – Foto: Fernanda Pompermayer

Equilibrada entre um momento mais sombrio e outro mais alegre e sensual, a nova coleção de Igor Dadona foi apresentada em um desfile digital na edição 52 do São Paulo Fashion Week. A partir desse contraponto, o estilista quer falar sobre o período mais angustiante de isolamento social e a perspectiva de liberdade que a cada dia se aproxima mais.

O próprio nome da coleção, “Loveur – House Couture”, vem da ideia de amar escondido, conceito que o diretor da marca relacionou com o seu amor ao trabalho e ter que realizá-lo escondido dentro do quarto nos últimos meses.

Durante esse período, a melhor companhia de Dadona foram os vídeos da alta costura preparando seus desfiles. Mesmo que, ao contrário do estilista brasileiro, eles tenham grandes estruturas e equipes milionárias, o brilho nos olhos e o amor pelo trabalho que produzem é o mesmo.

Veja a entrevista completa que Igor Dadona concedeu à Bazaar e na qual fala mais detalhes sobre a nova coleção.

Quais foram as principais inspirações para a criação da coleção?

“Sempre falo nas coleções sobre o momento em que vivo, essa reflete todos esses últimos meses (quase 20) dentro de casa, devido a dificuldade que criei em conseguir sair.  É uma coleção que poderia ser angustiante, mas ela aponta para algo bonito, no sentido da esperança de que tudo está melhorando e em breve conseguirei retomar minha vida.”

Como você descreveria a coleção?

“Minuciosa, cheia de detalhes, experimentações, muito trabalho, quase um sonho colocá-la em pé, depois de todo momento complicado que passei e tenho passado mentalmente. É uma coleção para os amantes do trabalho feito com calma, dos bons cortes de tecido, para quem ama descobrir em cada peça um cantinho especial, um novo detalhe.”

Quais os materiais utilizados? 

“É uma coleção bem eclética no sentido das matérias primas, temos; tweed, couro sintético, camurça, tricoline, zibeline, sarja escovada, sarja acetinada, lã, resina, cristais, pérola.”

Qual é a paleta de cores dominante? 

“Preto, off white, bege, verde escuro e azul escuro.”

Como foi o processo de criação do vídeo? 

“Diferente da apresentação passada, em que focamos na narrativa, dessa vez eu decidi fazer algo mais próximo de um desfile clássico, pois sinto muita saudade das passarelas. Porém, com alguns elementos de cena que ajudam o conceito a vir à tona, como as filmagens em macro em flores.”

Em um momento em que a vida social começa a ser retomada, em que situações você imagina os consumidores utilizando as peças? Como esse momento influenciou suas criações?

“Eu espero que as peças sejam usadas em momentos de felicidade, de reencontros, de abraços em pessoas queridas, de risadas entre amigos, espero que sejam usadas em momentos que perdemos nos últimos meses.”