Imersão na Amazônia inspira a coleção “Origem” de Regina Dabdab

As peças ganham elementos encontrados na floresta

by Silvana Holzmeister
Colar de andiroba, calcita verde, quartzo amarelo, escama de peixe, escada-de-jabuti, casca de cupuaçu, pirita, couro e prata - Foto: Divulgação

Colar de andiroba, calcita verde, quartzo amarelo, escama de peixe, escada-de-jabuti, casca de cupuaçu, pirita, couro e prata – Foto: Divulgação

A joalheria orgânica de Regina Dabdab, 42 anos, é inconfundível. Protagonizadas por uma junção expressiva de pedras brutas, madeira balsa e outros elementos coletados da natureza, suas peças flertam com esculturas e decoram o corpo e a casa. Na nova coleção, “Origem”, que acaba de chegar ao salão principal de seu ateliê, em São Paulo, ela reverencia a Amazônia e é o resultado de uma viagem fascinante realizada ao lado de duas amigas, em junho de 2019, de onde ela trouxe sementes e vários outros achados.

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“Foi uma imersão”, conta, cercada de elementos que transforma em peças cheias de personalidade. Regina morou 13 anos em Paris, onde lançou a marca que leva seu nome em 2009. De volta ao Brasil, no final de 2016, ela manteve os laços com a capital francesa. Suas criações são vendidas lá na La Villa Rose e também em Boston, na December Thieves, e em Chicago, na Robin Richmand Store, o que a obriga a estar sempre com uma antena direcionada para o cenário internacional e outra para o Brasil, sem contar com a atenção permanentemente voltada para um universo em que a simplicidade é a principal riqueza.

Por isso, conhecer de perto a floresta era tão urgente. “Meu olhar era de fora”, diz ela, que foi completamente impactada pela grandeza do bioma. “É difícil traduzir em palavras.” A viagem começou em Belém e, além de uma imersão na mata, teve visita à praia Croa Nova, no município de São João de Pirabas, recanto de espécies como guarás, garças e botos.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A primeira parte incluiu vivência com os caboclos da Ilha de Combu, que fica a cerca de 15 minutos de barco da capital do Pará. “Dormimos em redes, nas palafitas, e entrar na floresta foi uma experiência quase xamânica. Uma reconexão comigo mesma”, descreve Regina, entusiasmada, para, na sequência, mudar o tom da voz para expressar a indignação com os incêndios que atingiram a região.

Foi por causada da tragédia ambiental que ela chegou a se questionar sobre a pertinência da coleção. O conselho para seguir em frente veio do antropólogo Beto Ricardo, que está à frente do Instituto Socioambiental (ISA), organização que há 25 anos atua na Amazônia na busca por alcançar o equilíbrio entre sociedade e natureza. “É uma ONG que acaba de receber apoio de Leonardo Di Caprio e com quem fechei uma parceria para doar 4% dos nossos lucros com a nova coleção”, conta a designer.

Colar de semente, pirita, madeira balsa, madeira esculpida, cristal rutilado, escada-de-jabuti, lápis- lazúli, casca de andiroba, semente de andiroba, couro e prata - Foto: Divulgação

Colar de semente, pirita, madeira balsa, madeira esculpida, cristal rutilado, escada-de-jabuti, lápis- lazúli, casca de andiroba, semente de andiroba, couro e prata – Foto: Divulgação

Foi assim que Regina trocou a dúvida pela certeza de que cada um deveria fazer um pouco para contribuir com a preservação da Amazônia. “A coleção está reunindo tudo em que acredito hoje em dia”, diz ela. Começando por fazer joias com o que a natureza descarta. Nas novas peças, a designer mistura sementes – como de sucupira e jatobá, além de olho-de-boi, olho-de-cabra e jarina -, madeiras do mar e da floresta, ossos, cipós, escamas de pirarucu e pedras brutas, como quartzo fumê, fluorita amarela, cristal rutilado, lápis-lazúli, pirita e calcita laranja e verde.

“Também consegui mergulhar a madeira em tinta de ouro e fiz réplicas de corais impressas em 3D”, comemora. Com esses elementos, estrategicamente encaixados, ela criou cerca de 40 colares com pesos diferentes, além de joias de parede, mais expressivas. Outra novidade é o lançamento da linha de fine jewelry. Dessa primeira fornada saem joias delicadas – braceletes, anéis e brincos – feitas a partir de vértebras de serpente in natura ou replicadas em metal com banho de ouro e cobre, pedras e sementes. Com essa coleção, Regina reforça o caráter sustentável de seu trabalho. “É possível fazer coisas desejáveis sem destruir a natureza.”

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