Impressão 3D: conheça três marca que usam a tecnologia para criar itens de moda
Black Purpurin – Foto: Divulgação

Por Jorge Wakabara

A impressão 3D já foi anunciada como o grande futuro da moda. Lembra? Mas isso já faz mais de cinco anos. O cenário previsto era de todo mundo com sua impressora em casa, fazendo download de projetos de criadores e imprimindo roupas e acessórios na hora. Esse processo sob demanda inclusive evitaria desperdício de produção e acúmulo de estoque.

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Bom, chegamos em 2021 e a popularização das impressoras 3D não aconteceu, apesar de elas estarem mais baratas (você consegue uma, sem o material a ser impresso em si, por menos de 2 mil reais em e-commerce). Além disso, o processo de impressão toma tempo, tornando uma produção maior e escalonada praticamente impossível.

Então, que futuro em três dimensões é esse que estamos? Ele existe? Em parte, sim. O nome mais conhecido que usa essa tecnologia no mercado de luxo é Iris Van Herpen, a holandesa que é uma das mais incensadas e criativas da alta-costura. Porém, não é só da exclusividade dos salões que a impressão 3D para artigos fashion vive. A passos lentos, surgem iniciativas aqui e ali. Bazaar te mostra três delas, duas brasileiras e uma israelense – e todas ao alcance de um clique!

Bolsas futuristas

Impressão 3D: conheça três marca que usam a tecnologia para criar itens de moda
Foto: Divulgação

A fashiontech Black Purpurin, de Florianópolis, nasceu no fim de 2018, recebeu investimentos semente e já tem uma loja física em Jurerê Internacional. O mais bacana da produção são as bolsas da coleção “Paris”, de bioplástico reciclável, com relevo que convida ao toque. Elas ainda contam com substância antiviral na composição!

O modelo pequeno da bolsa é daqueles que surpreende: cabe tudo. A designer Raquel Souza também faz colares, porta-celular com alça, tornozeleira e até máscara com filtro. Tudo com a ajuda da tecnologia de impressão 3D. Dá para comprar na loja, em Floripa, ou pelo e-commerce.

Joias da impressão

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Fotos: Divulgação

Bruno Lima e Erick Paulino tiraram a inspiração para a marca de acessórios Copan da cidade de São Paulo. Bom, o nome já diz tudo, certo? O edifício ícone que fica no Centro, projeto de Oscar Niemeyer, não só batiza a etiqueta como inspira um de seus brincos feitos de PLA, um plástico hipoalergênico e biodegradável, desenvolvido a partir de frutose e sacarose de milho, beterraba ou cana de açúcar.

Teve outro criador que fez referência ao prédio recentemente: o estilista Walério Araújo, que também mora lá, na coleção apresentada na SPFW N51. Não é à toa que esse brinco específico é… parceria com Walério! Um item da collab, o Pastilhas, conta com as pastilhas de porcelana dos quebra-sóis do Copan que caíram sozinhas – elas foram recolhidas e aplicadas no corpo do brinco também produzido em PLA com impressora 3D, encontro inusitado entre relíquia e contemporaneidade.

Ah, e a impressão usa a técnica printin-place, na qual o item já conta com pequenas dobradiças que garantem partes móveis sem precisar inserir outros materiais no processo.

Atendendo a pedidos

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Fotos: Divulgação

A Danit Peleg, que é de Tel Aviv, já esteve no Brasil apresentando seu trabalho com tecnologia de impressão 3D, mas foi antes de desenvolver essa jaqueta bomber que é produzida sob demanda. Como cada peça é impressa por pedido, dá para incluir uma palavra com até cinco letras nas costas, deixando tudo superexclusivo. No ato do pedido, você tem uma gama de cores disponíveis para selecionar.

A partir daí, o processo de impressão e montagem demora mais de cem horas. O material por fora, flexível, parecido com borracha, deixa a roupa bem confortável – o forro de tecido também ajuda. O tempo de produção da jaqueta e o preço (US$ 1.500, sem frete) exemplificam o tanto que a tecnologia da impressão pode (e deve) avançar.