Fotos: Fotosite

Por Sylvain Justum

Flores, pétalas e volumes. Um jardim de formas clássicas, resgatadas dos anos 1940 e 1950 preparam o inverno primaveril de Alexandre Herchcovitch, que, bem ao seu estilo, aguça o olhar desafiando convenções e referências. Extremamente feminina, a coleção desvirtua babados e peplums, que aparecem deslocados, pulando da cintura para a barra dos vestidos; mangas surgem dependuradas, como que amarradas na cintura ou displicentemente desvestidas depois de um baile de princesas. Na verdade, fazem parte de uma mesma peça, engenhosamente construída de maneira a acalmar a pompa que a silhueta New Look pudesse imprimir. A cinturinha marcada e as ancas exageradas pelo uso de crinolinas não negam que trata-se de um glamour vintage, que Alexandre não deixa envelhecer. Clássico, sim; aristocrático, talvez; careta, jamais.

A temática botânica, que cobre de prints boa parte dos looks, reaparece na folha de couro no peito do pé, usada com escarpins delicados, e nas clutches rígidas e ovaladas. Nos materiais, pura sofisticação: cetim duchese – deslumbrante quando riscado graficamente –, gorgurão de seda e lã dublada com crepe georgette são as principais ferramentas de Alexandre para lapidar sua garden party – desfilada, apropriadamente, na estufa estilizada que faz as vezes de tenda para esta edição do SPFW. Looks lisos? tem também, na monocromia das primeiras entradas, em branco e vermelho, e no rico vestido negro de Geanine Marques, todo bordado de minividrilhos pretos, arredondados, com sofisticado efeito galuchat. Mais uma coleção de Alexandre para entrar para seu interminável repertório de grandes imagens de moda. Um sopro exagerado de criatividade, na contramão da “síntese” tão proclamada nesta estação. 
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O acessório
: o lindo escarpim com folha de couro no peito do pé.

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