Tom Ford - Inverno 2014/Fotos: Getty Images

Quando seus olhos já estavam se habituando à calmaria visual imposta pelas passarelas pós-maximalistas, vem Tom Ford e bagunça tudo com seu desfile de inverno 2013, realizado nesta segunda-feira (18/02), em Londres. Ford, que abriu mão das apresentações fechadas para, enfim, se mostrar para o mundo – ele tem planos de inaugurar mais de 100 lojas planeta afora até o final de 2014 -, decidiu correr riscos e juntar referências dos quatro cantos, numa pegada “tudo ao mesmo tempo agora”. Se funciona? Bem, depende do ponto de vista.

Ultimamente, quando se fala de moda, vem à mente a cartela em preto e branco, a arte optical, os animal prints, as geometrias, entre outras fortes direções. Pois na coleção de Tom Ford, tem tudo isso. E mais um pouco. O look de abertura, em Liya Kebede, resume bem o clima. Glamour setentista, arte op (e pop), mangás e pitadas esportivas.

As jaquetas bomber da vez estão lá, mas nas mãos de Ford, o resultado é exagerado, enfeitado, perua, mesmo. Flores bordadas ou estampadas e peles coloridas fazem parte do repertório. Sem falar nos patchworks em tons vivos como o pink, usados em total look, da bota ao casaco; ou as pitadas apache em saias gráficas; ou ainda as aplicações cartunescas em calças e vestidos. Quer pretinho básico? Tem também. Seja em forma de calça de alfaiataria com trench de couro ou, mais condizente com a coleção, um poncho de couro franjado com saia assimétrica e bota de cano altíssimo. Uma loucura.

Ford é mestre em produzir hits e, desta vez, ele caprichou. A jaqueta de oncinha com gola de pele, combinada com calça de renda preta, desfilada por Karmen Pedaru, é irresistível. Casacos exuberantes – o P&B de Lily Donaldson é matador! –, bombers pop que vão direto para o closet das fashion addicted, botas poderosas, sapatos zebrados. Por outro lado, quem, além de Anna Dello Russo, vai arriscar as peças com flores paetizadas multicolor? Ou a calça mezzo oriental, mezzo jogging inteirinha coberta de vidrilhos vermelhos? A linha entre o bom e o mau gosto é, em alguns momentos, bem tênue. Com os ambiciosos planos de expansão do estilista, é compreensível a tomada de risco e a guinada do exclusivo para o pop. Corajoso.