
VEJA AS REFERÊNCIAS E DETALHES DO DESFILE DE ALTA-COSTURA DA DIOR POR JONATHAN ANDERSON. FOTO: Reprodução (colagem)
Os olhos da moda acordaram sedentos na manhã de segunda-feira (26.01), fugindo dos sonhos desvairados de Schiaparelli e buscando o pé no chão do gramado do Museu Rodin, onde Jonathan Anderson fez sua estreia na alta-costura da Dior. O convite já funcionava como spoiler do que viria: um pequeno ramalhete de flores cor-de-rosa e uma fita preta, reproduzindo um presente que o designer da casa recebeu de um antecessor não tão distante, John Galliano. Era um convite impossível de ignorar, e também um recado sobre o método: olhar para a história daquelas à frente da maison para contar uma nova trama, sem precisar ir longe.
Ainda criança, Christian Dior cresceu entre os jardins da mãe, na Villa Les Rhumbs, na Normandia. Cercado por mais de 20 espécies de rosas, fez dali um refúgio criativo e levou essa memória adiante, deixando as pétalas atravessarem suas criações. Pense na embalagem do perfume Diorissimo ou na linha “Sinueuse”, da alta-costura de verão 1952. Depois dele, Yves Saint Laurent também recorreu às flores como ponto de partida na coleção de estreia, no verão de 1958.

Christian Dior cresceu entre os jardins da mãe, na Normandia. Cercado por mais de 20 espécies de rosas, fez da Villa Les Rhumbs um refúgio criativo – memória que levou adiante em pétalas. Foto: Divulgação
Já no presente, foi Galliano quem voltou a florir a passarela na escala em que a gente aprendeu a reconhecer, da estreia no verão de 1997 ao inverno de 2010, em uma de suas últimas coleções à frente da maison – antes de as polêmicas encerrarem sua passagem, gerando saudade para uma legião de fãs. Esses últimos que, inconformados com o minimalismo de Raf Simons, hoje clamam pela silhueta slim dele, como quem percebe que certas linhas não ficaram no passado. Afinal, é difícil olhar para alguns vestidos e não lembrar da estreia de Simons na Dior, em um salão tomado por flores, registrada e eternizada no documentário “Dior & I” (2014).

A embalagem do perfume Diorissimo. Foto: Reprodução
Mas existe algo na personalidade criativa, silenciosa e imponente, de Anderson que faz brotar o novo nos códigos da maison. Basta olhar para o look que abriu esse novo conto de fadas: um vestido de silhueta A, com cintura levemente marcada, em camadas finas plissadas como se fossem pétalas. O detalhe que prende o olhar é o verde, que lembra grama, a mesma que apareceu no desfile de verão 2023 da Loewe, marca que Anderson comandava.
Engana-se quem pensa que para por aí. Neste debut, ele trouxe cerâmicas antropomórficas de Magdalene Odundo, fac-símiles de orquídeas em seda e couro, brincos em forma de ramalhetes, bustos cintilantes, como se flores saíssem do coração. A estreia de Anderson mostra que, ao olhar para a própria casa, não dá para esquecer do jardim. É ali que o fruto nasce e que as memórias são criadas, guardadas e contadas.





































































