Jeremy Scott na capa do seu documentário - Foto: divulgação
Jeremy Scott na capa do seu documentário – Foto: divulgação

Por Giuliana Mesquita

Fast food, Mc Donald’s, Looney Tunes, Barbie e Bob Esponja não são elementos comuns ou imediatamente associados a uma maison de luxo. Mas também não há nada de comum no trabalho que o americano Jeremy Scott está fazendo à frente da Moschino, desde que assumiu a direção criativa da marca, em outubro de 2013. Detalhe: desde essa data, a histórica casa italiana viu seu número de vendas aumentar em dez vezes, tornou-se a grife do grupo AEFE que mais cresce e virou obsessão de celebridades como MadonnaKaty Perry, Rihanna e Miley Cyrus – todas amigas próximas de Jeremy, ele próprio um superstar. Prova disso é o lançamento, em setembro, nos Estados Unidos, do documentário The People’s Designer (ainda sem data de estreia no Brasil), dirigido por Vlad Yudin e Edwin Mejia, que pretende lançar luz à vida do estilista, desde sua infância, no Missouri, até os desafios de se tornar um designer de respeito, mesmo criando tão fora da caixinha.

O título para o longa não podia ser mais acurado. Grande parte do sucesso de Jeremy, tanto em sua marca própria como na Moschino e na linha que assina para a Adidas, vem de referências com conexão rápida e direta com toda uma geração que já nasceu e cresceu imersa no mundo da cultura pop. “Minhas inspirações vêm, obviamente, de ícones globais dessa cultura, como McDonald’s, Katy Perry, Rihanna… Vêm também de contos de fadas, rimas infantis, estátuas gregas, carros dos anos 1950, brinquedos de pelúcia… Vêm de toda a parte!”, diz ele, em entrevista exclusiva à Harper’s Bazaar Brasil. “Sempre me esforço para trazer algo um pouco diferente, subversivo, dar alguma emoção e fazer algo divertido. Costumo usar muita colagem, misturar referências e ideias. Tenho muitas inspirações e muitas musas. Por isso, minhas coleções são sempre tão diversas.”

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A primeira coleção de Jeremy Scott à frente da Moschino - Foto: Agência Fotosite
A primeira coleção de Jeremy Scott à frente da Moschino – Foto: Agência Fotosite

A mesma criatividade latente era a característica principal de Franco Moschino, fundador da marca e responsável por alguns dos símbolos mais marcantes da moda dos anos 1980. Fato que torna a tarefa de Scott um tanto mais fácil – e muito mais divertida. “Se eu não gostasse de seu trabalho, nunca teria aceitado esse cargo. O ponto mais importante que dividimos é que usamos humor em nosso trabalho. E isso é muito raro na moda.” Foi esse humor que criou o baque inicial de seu primeiro desfile, o de inverno 2014, quando a primeira modelo pisou na passarela vestindo um tailleur com as cores do Mc Donald’s. “Acho que eu trouxe o humor de volta aos holofotes com uma sensibilidade moderna. A cultura pop é a cultura dominante no mundo em que vivemos.”

Jeremy fala de humor na moda com propriedade sem tamanho. Num momento de ânimos apáticos e coleções monotonamente silenciosas com seus básicos e a tal nova normalidade, ele propôs – e iniciou – uma pequena revolução. E não só nas passarelas. O modo como a Moschino se comunica, suas parcerias e até a velocidade com que oferece seus produtos é algo que merece destaque. Ainda mais quando isso vem não de um executivo, mas daquele mesmo que faz barulho – altíssimo – nos desfiles-happenings. “No âmbito dos negócios, a coleção cápsula, disponível online imediatamente depois do show, é uma revolução. A Moschino tem apoiado todas as minhas ideias, não só nas criações das roupas”, revela, satisfeito. Outra ferramenta essencial para seu sucesso, e o da Moschino, é a relação íntima com estrelas, como Rihanna, Katy Perry, Miley Cyrus e Madonna. Jeremy garante que é amigo pessoal de todas e é por isso que sua colaboração com elas é tudo menos uma “photo op” (em tradução livre: uma oportunidade de fotografia). Para Katy Perry, o estilista desenhou o figurino do show no Super Bowl neste ano, além de a ter convidado para ser rosto da campanha de inverno 2015. Para Madonna, criou o vestido que a rainha do showbiz usou no MET Gala 2015 e também o figurino do clipe Bitch I’m Madonna. “Entro no mundo de cada uma delas e acabo criando algo que se torna parte da cultura pop mundial”, pontua.

Não fica difícil, então, entender a origem do novo culto que se forma ao redor da Moschino e de seu criador. Sobre os planos futuros? “Transformar a Moschino na marca mais cool do mundo.” Desafio que não deve demorar muito para se tornar realidade.