Brincos Pabla, banhados a ouro – Foto: Divulgação

Pode soar um pouco fora da realidade comprar uma joia em plena pandemia de coronavírus – em que o mundo sofre privações e teme pelos dias difíceis que ainda virão pela frente. Mas não quando, ao fazê-lo, sabe-se que estará ajudando uma instituição séria e altamente necessitada neste momento.

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A joalheira alemã Anne Manns decidiu destinar 20% das vendas de suas peças à Caritas italiana, que promove ações de apoio às pessoas em dificuldades financeiras e de saúde em meio à crise. “Alguns clientes me escreveram dizendo que se sentiam mal ao comprarem uma joia neste momento tão delicado. Saber que estão adquirindo uma peça de luxo e, ao mesmo tempo, ajudando uma fundação como a Caritas, tranquiliza o coração de muita gente e é o mínimo que posso fazer”, afirma a designer, que divide seu tempo entre o país natal e a região do Tirol, no norte da Itália, onde vive com o namorado.

“Eu me considero uma pessoa de sorte, porque minha produção de joias não foi afetada pela pandemia. Minhas peças são feitas por uma pequena família de ourives em Berlim, num ambiente extremamente seguro e calmo”, conta a joalheira à Bazaar.

Brincos Pari, banhados a ouro – Foto: Divulgação

Anne passou por várias fases e emoções desde o inicio do confinamento. Mas isso também permitiu que, no meio do caos, ela encontrasse inspiração para criar novas peças. “No começo fiquei paralisada e triste, sem saber o que estava acontecendo ao meu redor. Ainda estou assim, mas, nas últimas semanas, consegui colocar no papel uma nova coleção (ainda sem data de lançamento). Em tempos normais, não teria tempo para criar tão rápido”, diz Anne Manns, que apresentou sua última coleção, intitulada Pepper, em setembro do ano passado, em Paris.

A inspiração para a nova criação veio, dentre outras coisas, da horta mantida pelo companheiro no chalé onde vivem, repleta de vegetais e frutas. Desde sempre fascinada pelas formas e cores das plantas, a joalheira, nascida em Berlim, costumava passar as férias de infância na fazenda dos avós, no sul da Alemanha, onde colhia ervilhas frescas do pé e as tirava, uma por uma, da vagem, criando uma espécie de ritual mágico.

Não é à toa que Edie, sua linha de braceletes, brincos e anéis inspirada em vagens, é um dos best-sellers da marca. “Me impressiono com seres que crescem sozinhos em um ambiente natural e, enquanto se transformam, passam por diferentes formas orgânicas. É por isso que o vegetal, em suas diversas formas e cores, se tornou uma grande e única fonte de inspiração para mim”, afirma.

Trajetória

Anel Peri, banhado a ouro – Foto: Divulgação

Talentosíssima, Anne Manns foi escolhida como uma das apostas do programa incubador de talentos do Net-a-Porter em 2018, quando só contava com um ano de criação da sua marca homônima. “Foi ótimo começar a vender exclusivamente para eles, me senti honrada por ter sido escolhida entre tantos outros designers de talento”, conta ela, que, apesar de formada em Moda, diz ter sido seduzida pela liberdade de criação sem amarras da joalheria, sobretudo para produzir peças eternas e cheias de estilo.

Em ouro e prata, suas criações, inspiradas em formas orgânicas, lembram pequenas esculturas que interagem com o corpo feminino. Brincos, pulseiras, braceletes e colares remetem a formas curiosas, como trepadeiras ou berinjelas, todas idealizadas anteriormente em 3D, para um contato mais próximo da designer com a peça.

“Cada joia é manuseada e feita à mão por especialistas na capital alemã, capturando a espontaneidade da natureza numa peça única”, explica ela, que, recentemente, adicionou pedras em suas coleções. “Aprendi a escolhê-las em função de suas tonalidades. Minha preferida, sem sombra de dúvida, é o topázio”, conta.

Mas, mesmo em plena pandemia, a joalheira não deixa de fazer planos para o futuro – com consciência, é claro. “Acho importante ter em mente que nossas marcas não precisam crescer freneticamente todo o tempo, assim como não existe a necessidade de estar à venda em todas as lojas de departamento do mundo. O importante é construir uma marca saudável e rentável economicamente”, diz. “Agora, mais do que nunca, é o momento de repensar as fórmulas de sucesso e de realização profissional.”