Joias de Paola Vilas reforçam diálogo holístico sobre o feminino

Com presença expressiva no exterior, a designer lança a coleção #5

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Vanessa Barone

Quem usa uma joia criada pela designer Paola Vilas faz mais do que exibir um adorno: carrega uma peça que foi pensada como uma obra de arte. Com a vantagem que essas esculturas vestíveis, feitas de ouro e prata, podem ser levadas de um lado ao outro, ao contrário de uma peça criada para exposição.

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“Elas não ficam limitadas a um único espaço e podem ser incorporadas ao dia a dia”, explica a jovem carioca, que lançou sua marca em 2016 fazendo questão de se distanciar do universo da moda e da joalheria em busca de um campo de atuação livre de rótulos.

A designer acaba de lançar sua mais nova coleção – a “#5 Paola Vilas” -, uma continuidade das anteriores. As peças “levantam questões sobre o feminino de maneira holística e exploram as origens da energia da mulher”, explica.

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O evento foi no Parque Lage, endereço icônico para as artes, no Rio de Janeiro, com direito a intervenções artísticas e projeção de videoarte. De acordo com Paola, a nova coleção não trata do feminino pelo viés da delicadeza, mas de sua voracidade. “É uma energia como a de Afrodite (deusa do amor, da beleza e da sexualidade na Grécia Antiga), uma energia de criação”, define ela, que se diz sempre em busca de obras que também estimulem a conexão entre as pessoas.

“Minhas joias não são somente enfeites, mas formas de provocação e, não raramente, viram assunto para um início de conversa entre pessoas que não se conhecem.” E é fácil saber o porquê disso, ao olhar as peças no detalhe: corpos nus, inteiros ou em partes dividem espaço com formas orgânicas e simbólicas que remetem ao órgão sexual da mulher.

“O feminino é representado por meio de arquétipos que fazem analogia a pinturas renascentistas e, simultaneamente, subvertem, evidenciando elementos fálicos como vagens e conchas”, explica Paola. Na linha “Vênus”, por exemplo, a concha traz o elemento do mar e remete ao poder de criação.

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“A mulher aparece em movimento giratório, em torno de si mesma, ironicamente colocada em um ‘santuário’, que na verdade é a própria natureza de sua existência.” Já na sequência “Eva”, a designer buscou “o questionamento sobre as bases da construção do feminino no mundo ocidental”.

Para tanto, Paola faz menção a Adão e Eva, com brincos em forma de um corpo de mulher nu. “O objetivo é despertar a consciência para a importância da quebra de antigos padrões.” Desde criança, Paola se expressa por meio da arte. Das pequenas esculturas de argila, na infância, ela evoluiu para a ilustração e, mais tarde, para a moda, depois de cursos feitos na Central Saint Martins, em Londres.

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“Também cursei ourivesaria e acabei me encontrando nas miniesculturas”, diz ela, que, atualmente, exporta 80% de suas criações para pontos de venda como Selfridges, em Londres, e para o site Net-À-Porter.

No Brasil, a designer mantém um ateliê-loja no bairro do Leblon, no Rio, além de vender nas butiques multimarcas Gallerist, Lool e Pinga, em São Paulo. “Este ano, pretendo aumentar a presença no mercado nacional”, afirma Paola. Para felicidade geral da nação.

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