Foto: Roma e Lucas Luz/Divulgação

A joalheira e stylist Juliana Araújo começou a desenvolver a primeira coleção há cerca de um ano. No meio do caminho, decidiu criar sua marca, a Arco, em janeiro, com uma seleção de peças para o dia a dia. A parada obrigatória por causa da Covid-19 era o fôlego que essa carioca apaixonada por São Paulo, mas com os pés fincados no Rio, precisava para finalizar a tarefa.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Conta que foi buscar inspiração nas primeiras civilizações para criar joias conceituais não-binárias, que ela define como esculturas que se deslocam pelo corpo. É assim, por exemplo, que brincos viram broches e vice-versa.

A proximidade com a escultura dá caráter tridimensional para suas peças feitas em prata – com variações em ouro sob encomenda -, madrepérola, quartzo, âmbar, jade e, vez por outra, materiais inusitados como um vidro encontrado em uma praia ou qualquer outra coisa que chame a sua atenção. Materialidade é assunto sério para Juliana. “Para mim, joia é o resultado do que é possível fazer com os materiais”, sentencia.

Colar e brinco de prata e quartzo rosa – Foto: Roma e Lucas Luz/Divulgação

“Tempo, espaço e corpo são meu tripé”, diz ela. Com apenas 28 anos, esbanja vivência de quem começou cedo e nutre curiosidade por tudo que está ao seu redor. E também não tem medo de explorar novos caminhos. Frequentadora do Parque Lage, depois de se formar em História da Arte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), encarou o curso de Design de Moda na PUC-RJ e aprendeu curadoria na Casa França-Brasil.

Stylist desde os 17, passou por agência de modelos da terceira idade, antes de encarar uma carreira solo, e foi sócia da RMA-3, marca de roupas sem gênero. Foi quando começou a fazer adornos. “Montava aqui no Rio e vendia tudo em São Paulo.”

Brinco “Arenito” em prata – Foto: Roma e Lucas Luz/Divulgação

O caminho na joalheria foi lapidado com cursos no ateliê da designer Lívia Canuto, a proximidade com a artista plástica Virginia Macul e mergulhos na história do artefato com a professora Irina Aragão.

Com Dudu Bertholini, a designer Stephanie Bekes Camargo e a fotógrafa Cassia Tabatini entre os fãs do seu trabalho, Juliana conta que a Arco nasceu da reconfiguração do cotidiano e do entendimento de que não há mais espaço para velhos padrões.

Brinco “Amã” em prata – Foto: Roma e Lucas Luz/Divulgação

Vertentes que conduzem as peças que já estão no Instagram da marca e também dão a cara das 15 joias que compõem a coleção “Mesopotâmia”. Ao resgatar a cultura dos povos originários, ela explica o desejo de exercitar um certo distanciamento de referências. “Que o Brasil não me traz. Queria algo impessoal, mas acho que acabei traçando um paralelo com a condição do brasileiro.”