Foto: Divulgação
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Por Vanessa Barone 

Acontece nesta quinta-feira (04.05) o trunk show da estilista Kika Simonsen, no shopping Cidade Jardim em São Paulo e a Bazaar conversou com a designer sobre sua nova coleção. Veja a seguir:

Foi após um período de luto e tristeza – por causa da morte do pai – que a designer Kika Simonsen acabou concretizando o projeto de transformar em moda o seu trabalho como pintora. Íntima das telas e tintas desde a adolescência, flanou entre diferentes atividades até encontrar um ofício que reunisse todas as suas paixões, resultado da união de diferentes habilidades adquiridas em cursos de design gráfico, administração, modelagem e artes visuais. De quebra, a grife que leva seu nome ainda traz a elegância e a feminilidade que não precisaram de escola para se desenvolver: são características da sua personalidade.

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Para a coleção deste inverno, Kika buscou inspiração no Marrocos para criar vestidos longos e acinturados, pantalonas, paletós e camisas que reproduzem texturas e tons terrosos característicos. Na estamparia, na escolha dos tecidos e no uso de rendas geométricas se reconhecem desenhos saídos da tapeçaria e da decoração do país que encantou Yves Saint Laurent, nos anos 1960.

Qualquer que seja a inspiração, boa parte da coleção de Kika traz estampas poderosas, originárias de desenhos criados primeiro para as suas telas. O estilo passa, invariavelmente, por uma mistura de figurativo com abstrato. “Gosto de pinceladas aparentes e imagens que se misturam no fundo”, explica. Depois, no computador, são manipuladas para ficarem prontas para adornar tecidos, por meio da estamparia digital.

O processo de criação começa na definição de um tema. “Depois disso, escolho a cartela de cores e vou para o meu estúdio criar”, afirma a designer, que elabora a pintura em camadas, a partir de pigmentos puros misturados à cola. O uso desse material, no lugar de tintas prontas, garante um maior controle de tonalidades. Além disso, segundo a artista, a construção das camadas de tinta feita na tela também pode ser vista na estampa, dando profundidade ao desenho. “É um processo bem artesanal.”

O universo de Kika é slow e artsy. “Gosto de roupa com história, que é atemporal. Acredito que as minhas clientes não querem nada que seja datado”, diz ela. Alguns desenhos, aliás, se repetem de uma coleção para outra, em diferentes modelos. O compromisso não é com a novidade, mas com o belo. “Se eu acredito que uma es- tampa merece aparecer em outras modelagens, uso nova- mente”, afirma.

Com loja no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e e-commerce próprio, a marca Kika Simonsen também pode ser encontrada em outros dois endereços eletrônicos: no Gallerist e no aplicativo Catwalk. A partir da próxima coleção, também estará nas araras da multimarcas paulistana Pinga. Os planos incluem a realização de showroom no exterior. “Acredito no potencial das estampas”, diz Kika, acrescentando que procura criar desenhos fortes, mas com sutileza, evitando resultados datados.

Recentemente, aventurou-se por outras superfícies e adorou. Kika foi uma das convidadas a desenhar a estampa da cúpula do novo abajur criado pelo designer Marcio Neri para a La Lampe. A estampa, inspirada em Caraíva, na Bahia, já faz uma prévia da brisa praiana que promete soprar em direção ao seu Verão 2019/20.

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