A empresária Lane Marinho - Foto: André Giorgi/Harper's Bazaar Brasil
A empresária Lane Marinho – Foto: André Giorgi/Harper’s Bazaar Brasil

Ela abandonou a carreira de criação em grandes labels brasileiras de sapatos, como a Schutz, para seguir sua intuição e desenvolver seu pequeno projeto focado no artesanal. “Essa transição foi muito natural para mim. Não planejei essa mudança, mas sempre senti que não me conectava com esse formato composto por estoques e produções em larga escala”, conta Lane Marinho.

Soteropolitana que vive em São Paulo desde 2009, acredita estar apenas resgatando sua essência. “Eu conversava com o meu coração e entendi o que queria de verdade. Desde criança, faço atividades manuais, como crochê e bordados, criava brincos e colares. Voltei para o que eu acreditava. Quando a gente cresce, muitas ideias são colocadas para nós e definidas como certas”, diz a designer, que criou sua própria marca há cinco anos.

A sandália Francisca - Foto: Divulgação
A sandália Francisca – Foto: Divulgação

Ela trabalha em um ateliê no centro da capital paulista, gosta de colocar a mão na massa e não sonha em ser uma grande empreendedora. Com Lane, é o genuíno processo slow fashion. Tudo com calma, para curtir cada etapa do processo de manufatura. “O produto é uma consequência. Adoro a ideia de poder pensar nos detalhes com um pouco de paciência. Ver cada cor ou linha que vai ser costurada. Essa é a minha pira, é isso que curto. Percebia que era um tédio trabalhar em locais grandes sem pensar. Era algo quase automático.”

Esse choque de ritmos despertou a sensação de não saber mais o que gostava. Entretanto, como vemos nas suas criações, há uma mistura de referências vintage com alguns materiais naturais, como cordas, conchas e pedras. E, claro, muita cor. Há versões com adornos que as clientes levam para acrescentar no modelo, combinação de cores vibrantes – e nada de preto.

A sandália Stella - Foto: Divulgação
A sandália Stella – Foto: Divulgação

“Eu adoro cor. Já tem muitas coisas pretas no mundo, por isso decidi não tê-lo na minha cartela de tonalidades. O mais escuro que tenho é o azul-marinho, e aí as consumidoras se divertem com o que tem disponível.” Essa diversão é o que deixa tudo mais leve. “Se pudesse, faria sapatos, doaria e enfeitaria as pessoas. Faço sapatos do mesmo jeito que pinto um quadro. É o mesmo exercício de cor e forma.”

A produção petite costuma ter entre 30 e 40 pares por mês. “No final do ano, quanto tem mais pedidos, chega a 50”, diz a designer, que revela ser o limite do que consegue dar conta hoje em dia. Aumentar a quantidade seria uma forma de fazê-la refém do seu negócio, em vez de mantê-lo como prazeroso. “Escolhi esse tamanho de produção para ter domínio da minha criação. Não quero ser a CEO do meu projeto, sou a artesã.”

A sandália Dora - Foto: Divulgação
A sandália Dora – Foto: Divulgação

Ela costura, borda, faz ajustes no pé das clientes, se precisar, e praticamente todos os sapatos que passam por lá têm a sua mão de alguma forma. Como todo trabalho handmade, nenhum sai igual ao outro. “Estou no lugar que queria estar. É algo que flui,não faço por obrigação.”

Lane conta que é daquelas pessoas que aprendeu a viver o presente sem depositar muita expectativa no futuro. As aulas de cerâmica, joias ou pintura, que faz atualmente, podem roubar por completo a sua atenção daqui a alguns anos. Ou não. Mas de uma coisa ela tem certeza: quer passar o que sabe adiante. “Tenho uma vontade antiga de montar um workshop para ensinar e dividir um pouco de conhecimento sobre os calçados. Ainda não sei o formato, mas já estou pensando nisso. Pode ser que aconteça ainda este ano.”

A sandália Clementina - Foto: Divulgação
A sandália Clementina – Foto: Divulgação

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