L'Enchanteur lança coleção cheia de simbolismos dialogando com o jogo de xadrez
Foto: Divulgação

Uma marca que congrega influências de misticismo, numerologia, magia, geometria e mitologia. Pode parecer pretensioso, mas muito natural para Dynasty e Soull Ogun, irmãs gêmeas e criadoras da marca L’Enchanteur. Naturais de Nova York, filhas de uma costureira caribenha e de um engenheiro nigeriano, elas perpetuam o savoir-faire manual e a capacidade cerebral herdada dos pais, mas, sobretudo, a riqueza e a sabedoria ancestrais do povo negro.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Tanto que a marca foi acabar nas graças de gente como Beyoncé, Lauryn Hill, Erykah Badu, Whoopi Goldberg e Stevie Wonder. “É uma honra ter colaborado com todos esses artistas, e o mais importante é que eles deixam tudo nas nossas mãos. Quando trabalhamos com a Beyoncé, por exemplo, tivemos apenas um briefing de um projeto específico, mas quem deu a palavra final no desenvolvimento dos brincos que ela usou em ‘Black is King’ fomos nós”, diz Dynasty.

Criada há oito anos, L’Enchanteur é uma grife de lifestyle que cria roupas, objetos e acessórios, mas, sobretudo, joias. As coleções, quase sempre pequenas, se materializam no estúdio localizado no Brooklyn. Tudo em nome da sustentabilidade e da exclusividade.

L'Enchanteur lança coleção cheia de simbolismos dialogando com o jogo de xadrez
Foto: Divulgação

“Usamos bronze, prata, cobre, ouro e pedras preciosas, e algumas peças possuem qualidades cinéticas devido às nossas crenças metafísicas. Outras joias são puramente estéticas; no entanto, sempre há um intuito mais profundo, que é o que impulsiona nosso design”, conta Soull, referindo-se à religião iorubá – herança do pai –, e sua conexão direta com Ogum, orixá do metal.

“O ofício de joalheira flui através de mim, permitindo que minhas ideias sejam canalizadas, conectando inspirações ambientais, cosmológicas e temporais”, acrescenta.

A maior parte das peças é feita à mão por Soull, mas raramente nascem de esboços. Autodidatas, as irmãs Ogun têm caminhos complementares: Soull é artista e joalheira, e Dynasty, estilista. Juntas profissionalmente há quase uma década, decidiram expandir seus conhecimentos e capacidades, de forma completamente autônoma.

“Nossa colaboração é fluida. Isso nos permitiu criar nossas próprias regras, ao mesmo tempo em que ‘violamos’ as normas estabelecidas pelo establishment, já que somos autodidatas. Sempre nos consideramos empreendedoras, com a capacidade de utilizar o que já sabíamos. Isso nos impulsionou desde o começo”, conta Dinasty.

L'Enchanteur lança coleção cheia de simbolismos dialogando com o jogo de xadrez
Foto: Divulgação

Prova disso é a mais recente coleção, feita com ouro amarelo, madrepérola, opala negra e ônix preto, inspirada no tabuleiro de xadrez. A peça principal é o colar com uma opala negra australiana esculpida com o rosto de um antigo guerreiro do Benim, em Gana. “A cicatriz no rosto dele mostra a escarificação, um ritual muito difundido nas tribos do continente africano. Era importante para nós mostrarmos esse detalhe em um material tão fino e delicado como a opala, para ressaltar a beleza e a delicadeza da escarificação e o ritual dentro de seu contexto”, explica Soull. A linha se inspira na imensa quantidade de ouro usada pelos reis das tribos Acãs, na Nigéria, e do Benim.

Para complementar a coleção, está a caminho um tabuleiro de xadrez para lá de sofisticado. “Ele será em ouro e pedras preciosas como opalas, madrepérolas e diamantes marrons. Essa coleção também acabou inspirando o começo da próxima, que sairá no final deste ano”, comemora Soull.

“Somos ávidas jogadoras de xadrez porque ele exige raciocínio e reflexão, e mais ainda porque o rei é a peça central, mas é a rainha quem faz a maior parte dos movimentos do tabuleiro”, afirma Dynasty, que enfatiza a necessidade da incorporação do negro no mercado de trabalho, sobretudo das mulheres.

“A verdade é que a África sempre foi motivo de inspiração para as grandes marcas, mas nunca obteve o seu devido reconhecimento. Mas eu sinto que o mercado está se abrindo de uma certa forma”, diz Soull. “Nossa vontade é que as grifes dirigidas e criadas por negros ganhem cada vez mais visibilidade e que sejam equalizadas no mercado de capitais. Isso significa também mais mulheres atuando como proprietárias ao lado de homens”, afirma. Xeque-mate.