Linda Evangelista veste Dior - Foto: Divulgação
Linda Evangelista veste Dior – Foto: Divulgação

O ano era 1995 e vivíamos a era das supermodelos. Naomi Campbell, Helena Christensen, Kate Moss e Linda Evangelista eram alguns dos nomes que cruzavam passarelas, brilhavam em campanhas e participavam de videoclipes icônicos, como “Freedom”, de George Michael.

Linda estava entre as modelos mais requisitadas da época, fez inúmeros desfiles, mas se lembra de um em particular daquele ano: da Dior, em que fechou a apresentação usando um longo amarelo que, para ela, mudou a sua vida.

Ela conta em primeira pessoa sobre a experiência e o modelo, que depois ganhou do estilista John Galliano e hoje faz parte do acervo do MET (Metropolitan Museum of Art), em Nova York:

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Linda Evangelista veste Dior - Foto: Divulgação
Linda Evangelista veste Dior – Foto: Divulgação

Usei este vestido de John Galliano para Dior na capa da Harper’s Bazaar de janeiro de 1995. A capa foi fotografada por Patrick Demarchelier, no estúdio dele, em Nova York, e nós, basicamente, replicamos o look do desfile de Galliano em Paris, mas sem o véu.

Naquela época, eu era modelo em tempo integral, vivendo entre Los Angeles e Nova York e viajando muito para a Europa. Era frenético. Mas amava a minha vida – amava. Adorava meu trabalho. Sempre disse que é um sonho fazer o que faço. Não me lembro muito daquele tempo, tudo ficou nebuloso.

A melhor pessoa para conversar sobre aqueles dias é Naomi [Campbell]. Ela se lembra de tudo em detalhes. Ligue para ela. Mas me lembro da prova de roupas do desfile de Galliano. Quando vi este vestido na arara, comecei a passar mal.

Aprendi cedo a não ter expectativas, já que nem sempre você fica com o melhor vestido ou o melhor look. E nem sempre você consegue abrir ou fechar o desfile, então, fechar era uma honra. Eu não conseguia imaginar um vestido mais lindo. Nem sou fã da cor amarela, mas vesti-lo foi uma das coisas mais sensacionais que aconteceram comigo. Amava tudo nele. Era sofisticado, provocante, divertido. Era retrô e moderno.

Linda Evangelista veste Dior na capa da Harper's Bazaar - Foto: Divulgação
Linda Evangelista veste Dior na capa da Harper’s Bazaar – Foto: Divulgação

Amo vestidos longos que deixam o tornozelo à mostra. Tinha todos os elementos para mim. Também adorei o desfile e a energia. Era um momento muito empolgante na moda, e a plateia estava tão empolgada quanto. Eu não sabia que seria daquele jeito, mas, quando entrei na passarela e senti aquela energia, foi mágico. Foi tão legal quando a Bazaar me convidou para fazer a capa, porque senti como se fosse meu vestido. Teria ficado triste de ver outra pessoa usando.

Vejo as garotas hoje, se elas vão à Disneylândia ou à festa de Halloween, elas querem ser princesas ou heroínas do filme de conto de fadas do momento. Para mim, foi assim: “Meu Deus, este é um vestido de conto de fadas, eu vou usá-lo na capa da Bazaar e levá-lo a outro patamar”.

Antes deste vestido, eu nunca tinha tido uma peça couture. Karl [Lagerfeld] tinha me dado umas coisas de Chanel, mas eu nunca tinha tido um vestido de alta-costura. John me deu este. Não me lembro exatamente como foi, mas ele mandou para mim. Ocupou bastante espaço. Era enorme, e nunca soube onde guardá-lo, então, ficou em um manequim no meu quarto. Mas me deixou tão feliz, porque, todas as manhãs, quando acordava, a primeira coisa que via era esse vestido alegre, amarelo como o sol.

Fiquei com ele por anos, até começar a parecer frágil demais para ficar exposto. Pensei:”“OK, vou colocá-lo em uma caixa”, e então pensei: “O que vou fazer com isso?”. Doei para o Metropolitan Museum of Art. Vai encontrar sua exibição um dia.

Assim é o John – ele vai com tudo, força total. E acho sua visão interessante. Sempre fico esperando para descobrir qual é a viagem em que ele está. Ele sempre tem uma história. Quando vai provar as roupas, ele sempre explica para você quem você é, onde esteve e como chegou onde está usando este vestido.

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Linda Evangelista veste Dior - Foto: Divulgação
Linda Evangelista veste Dior – Foto: Divulgação

Recordo esse ensaio de capa sendo o mais fácil do mundo. Toda vez que me diziam: “Você vai fotografar com Patrick”, eu sempre reagia: “Oba!”. Não consigo imaginar um ambiente mais maravilhoso, agradável e divertido para trabalhar. Ele não tem de fazer muita coisa, porque ele é o Patrick. Ele não tortura você. Não é uma luta. Às vezes, é preciso passar por muito sofrimento para conseguir fotos, mas Patrick facilita tudo.

Mas eu sempre adorei moda. Não tenho preferências, amo tudo, dos vestidos bonitos e vintage aos ternos masculinos e coisas andróginas. E amo peças superfemininas.

Não tenho, porém, tantas roupas como se pode imaginar, uso minhas peças mais de uma vez. Não as visto como uma oportunidade para ser fotografada. Não as uso para meus seguidores. Eu as uso porque é como me visto na minha vida.

O que mais gosto na moda, especialmente em vestidos divinos, como este, é que pode tocá-la emocionalmente e transportá-la para algum lugar do passado. Significa muito mais do que apenas algo pendurado em um cabide.