Foto: Divulgação
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Por Carol Camargo

Uma amiga de Christian Louboutin ia se casar e, como presente, o designer quis fazer algo especial: um sapato para o dia da cerimônia. Como ela é budista, decidiu convocar artesãos do Instituto Nacional de Zorig Chusum, em Thimphu, no Butão, uma escola de artes e ofícios criada para preservar a cultura artesanal do país, que é famoso por enfatizar a felicidade.

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Foram meses de trabalho até que o par fosse enviado, pelo correio, para a Suíça, local da cerimônia. “Pedi desenhos que simbolizassem saúde, amor e perenidade. Mas o sapato nunca chegou ao destino”, conta Louboutin à Bazaar, em uma suíte do hotel Mandarin Oriental, em Nova York.

Saboreando physalis e gomos de tangerina, ele conta que foi por causa desse episódio que surgiu a ideia de fazer a coleção-cápsula “LouBhoutan” – nome criado a partir do mix de Louboutin com Butão (em inglês, a grafia é Bhutan). A relação do francês com o pequeno país, que fica entre a China e a Índia, vem de longa data. “Quando tinha 15 anos, senti vontade de conhecer o Butão. Me fascinava a ideia desse lugar misterioso envolvido pela cordilheira do Himalaia. Não era tão simples. Havia diversas regras para a entrada de turistas e era muito caro”, relembra.

Atualmente, a taxa de turismo custa de US$ 200 a US$ 250 por dia, dependendo da época. O sonho do designer realizou-se apenas em 2012. Desde então, passou a visitar o lugar de duas a três vezes por ano. “Minha primeira viagem foi bem turística. Visitei vários templos. O que mais despertou minha curiosidade foi a arquitetura. Existe uma ligação entre as construções, a tradição e os trajes típicos.”

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Foi em um dos passeios que, por acaso, ele conheceu o Instituto Nacional de Zorig Chusum, que ensina as “13 artes tradicionais do Butão”, como pintura e entalhe em madeira. “A princípio, não era minha intenção criar uma coleção. Tudo começou com o presente para a minha amiga, mas acabei sendo fisgado pelo que estava fazendo. E o ritmo não seria o mesmo da moda”, explica.

Os 13 pares de sapatos da “LouBhoutan”, reunidos na linha conceitual, levaram seis anos de trabalho em conjunto até ficarem prontos. No início, os artesãos não faziam ideia de quem Louboutin era, ou da fama mundial de suas solas vermelhas. “Muitos dos alunos nunca tinham visto um sapato de salto alto ou plataforma. Levei vários pares e mostrei o passo-a-passo da construção. Em contrapartida, dei total liberdade de criação. Pedi que fizessem desenhos e me contassem a história por trás deles”, relembra.

As referências foram desde conceitos simples, como flores típicas do Himalaia, até narrativas retratando um personagem. Os saltos foram esculpidos e pintados à mão. Na Europa, Louboutin criou a parte superior de todos os modelos.”Assim que tudo ficou pronto, viajei para o Butão e, juntos, decidimos o que casaria melhor”, conta. Cada modelo ganhou nomes com referências ao que retratam, como Beauté du Ciel e Mystic Clouds. Louboutin destaca, ainda, a atmosfera serena do Butão e a bondade das pessoas. “Elas estão sempre sorrindo”, diz.

“Percebi, com eles, que é realmente mais importante ser feliz do que rico, ter saúde do que ter dinheiro”, comenta, acrescentando que felicidade, em sua opinião, significa liberdade. “É sentir energias positivas. Profissionalmente, saber que a empresa é minha e que posso trabalhar no meu próprio ritmo. A maturidade me trouxe isso.”

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Frequentador assíduo do Rio de Janeiro, o designer entrega um ritual que faz a diferença na sua rotina. “Amo acordar no meu apartamento, calçar Havaianas, atravessar a rua e dar um mergulho no mar. Isso me faz muito feliz!”

Beleza rara
Os 13 sapatos exclusivos e conceituais da coleção-cápsula “LouBhoutan” estarão à venda em apenas seis boutiques Christian Louboutin, como a da Madison Avenue, em Nova York, e a da Saint Honoré, em Paris. A partir dessas peças, o designer desenvolveu uma linha comercial. As duas lojas brasileiras da marca, em São Paulo e Brasília, já receberam os modelos Himaya (R$ 7.950, laranja e verde) e Bhutanika (R$ 5.490, multicolor).

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