Por Luigi Torre

Bem-vinda ao futuro. Um futuro em alta-velocidade, digitalizado e feito de possibilidades. Assim começa o desfile da Louis Vuitton, com uma voz robótica anunciando “uma jornada às fronteiras da era digital”. E, se nos permite, às fronteiras da moda também. Inspirado em heroínas e guerreiras de videogames, Nicolas Ghesquière vai além na sua exploração de um novo guarda-roupa para mulher de hoje e a imagina como viajantes intergaláticas, meio punk, meio grunge, mas sempre real. Aqui elas vestem plataformas pesadas e kilts cobertos de tachas, jaquetas de couro repletas de recortes, calças e bermudas bikers com color block, regastas e camisetas teladas, macacões de seda de aspecto utilitário, longos vestidos com aplicações metálicas e a nova bolsa-desejo, num misto de saco com tote franjado.

E assim, quando já nos víamos descrentes sobre a possibilidade de qualquer indício de novidade na moda, eis que no fim de um mês ininterrupto de desfile, somos impactados com nada além do novo. O novo que vem fantasiado de futurista, mas fala do aqui agora. Traz as camadas-tendências da temporada para muito além do importante jogo de transparências da estação. São sobreposições de referências e elementos dos mais diversos – o romantismo das mangas bufantes e golas altas de tempos passados, com a modernidade os padrões tipo grid de microchips, com a força das estruturas rígida em couro e arremates em metais; com a delicadeza e preciosismo do savoir-fare artesanal – que produzem algo totalmente novo em si só.

Nessa jornada o ponto de partida (ou a referência) pouco importa. Vale mais o destino final, desconhecido e aberto a novas possibilidade. E numa temporada em que se falou tanto de escapismo e viagens, a que ruma para o futuro promete ser a mais procurada.