Lucas Magalhães e a modelo Isadora Vieira com look de seu inverno 2015; edição de moda: Alexandra Benenti; e beleza: Naiara Pinheiros (Capa/MGT) - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Lucas Magalhães e a modelo Isadora Vieira com look de seu inverno 2015; edição de moda: Alexandra Benenti; e beleza: Naiara Pinheiros (Capa/MGT) – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Luigi Torre, com foto Romulo Fialdini

Segundo o ditado popular, mineiros comem quietos. E, no que depender da carreira de Lucas Magalhães, isso é bem verdade. Sem alarde, pressa e grandes pretensões, ele lançou sua marca homônima em 2011 e, desde então, não parou mais de crescer. Hoje, é um dos estilistas mais cool da nova geração de designers brasileiros, manipulador têxtil sem igual e mestre em estamparia.

Não à toa, atraiu a atenção – e o investimento – de grandes players da indústria. Recentemente, se tornou o mais novo membro do grupo Nohda, de Patricia Bonaldi (além da grife homônima da estilista, PatBo e Apartamento 03 também fazem parte da holding), que já nasce com potencial de crescimento global impressionante.

Mas não se assuste se seu nome ainda soa estranho. Os holofotes não o agradam. Lucas é daqueles que preferem os bastidores e a mão na massa. m sua coleção de inverno 2015, por exemplo, o tecido camuflado-artsy plastificado é, na verdade, um tafetá supertecnológico. Tem ainda padrões e texturas conseguidos por meio de corrosão e um silk com aparência de paetê.

Descrição complexa, fato, mas resultado 100% usável. Mais ainda, desejável. Fica aí outro ponto forte: apesar da paixão pela técnica, esta nunca sobrepõe o produto. “A transformação é o que mais me fascina, pegar uma base, que ainda não está pronta, e transformar aquilo em tecido e depois em roupa”, diz ele, em entrevista à Bazaar.

Há mais ou menos seis meses, Patricia Bonaldi conheceu, de perto, o trabalho de Lucas, durante edição de verão 2015 da feira de negócios Minas Trend Preview. “Foi tudo muito rápido”, lembra-se ele. “Foi como um ímã. Já estava buscando investimentos que pudessem me ajudar na gestão.” Encontrou. “E o projeto é muito legal também, tem uma possibilidade de projeção muito grande e é comandado por gente da moda, que já conhece e entende o mercado.”

Detalhes sobre a negociação ainda estão sendo finalizados. Loja própria, por exemplo, ainda não há previsão. Mas Lucas já adianta: “Agora, poderei me focar 100% na parte criativa e na evolução da identidade da marca”. Até então, era o próprio estilista que cobria todas as funções: da criação às mais chatas burocracias.

Após seu primeiro desfile, no projeto de novos estilistas Rio Moda Hype, vendeu 70% da coleção para uma multimarcas mineira – hoje são mais de 25 pontos de venda, físicos e virtuais, como o Gallerist. Pouco tempo depois, foi chamado para assumir a direção de criação das marcas Coven e Faven, posto que deixa agora para se dedicar à grife própria. “Foi um pouco assustador. Não era minha intenção, não tinha preocupação de vender.”

E isso muda agora? “Acredito muito nas minhas vontades, você não pode negá-las. E minha roupa nunca foi algo mirabolante. Isso fica nos materiais.” Porém, se o produto já era o centro das atenções antes, agora é ainda mais. “É só o começo, mas teremos um maior mix deles em nossas coleções, sempre com bastante identidade. Porque não queremos só seguir tendências, queremos propor tendências e apresentar o novo.”

Assine a Harper’s Bazaar