Por Luigi Torre

A superação dos gêneros está em alta, mas está longe de ser um tema exclusivamente atual, como Luiz Cláudio deixou bem claro com o inverno 2016 de sua Apartamento 03. Lá estavam todos os elementos-chave da moda genderless (ou agender): os blazers alongados (às vezes até como vestido, fechado e sem abotoamento), as camisas com babados e laços nos pescoços e as peças fluidas tipo pijama (tendência quente da estação). Mas aqui eles têm profundidade — técnica e conceitual.

Foi durante uma viagem para Londres que Luis decidiu explorar melhor o tema. Era quando Caitlyn Jenner estava na capa da Vanity Fair, que estava na mão de todo mundo nas ruas e no metrô. Mas o assunto já estava na sua cabeça, e graças a Virginia Woolf, via Orlando (o romance, de 1928, sobre o homem que vira mulher da noite pro dia e vive por 300 anos).

A partir daí, começou pensando no que Lady Orlando vestiria hoje e chegou nessa rica coleção que traz aquela confusão entre passado e presente tão latente na moda de hoje e que tem nos detalhes e na manipulação têxtil seu principal diferencial. Vide os bordados brilhantes nos ternos de lã, os jacquards metalizados e o vestido com minicorrentes e canutilhos, que levou 48 dias para ser feito. Versões atuais da excentricidade do personagem traduzidas de forma relevante e com imenso primor técnico.