O MÃOS DA MODA é fruto da parceria entre a NORDESTESSE e o Riachuelo Lab – Foto: Divulgação

A força da moda brasileira sempre esteve na manualidade, nos gestos que atravessam gerações e na precisão das mãos que traduzem identidade, memória e território. Em um momento em que o mundo volta os olhos para processos autorais e para o valor do feito à mão, iniciativas que fortalecem os saberes tradicionais tornam-se essenciais para posicionar a criação nacional com ainda mais prestígio e relevância cultural.

Nesse cenário nasce o MÃOS DA MODA, fruto da parceria entre a NORDESTESSE e o Riachuelo Lab, plataforma da Riachuelo dedicada a revelar e impulsionar talentos da moda, arte e cultura. O projeto aproxima artesãos e estilistas e valoriza técnicas brasileiras como bordados, crochê, rendas, teares, cestaria e couro, fortalecendo tanto o artesanato quanto a autoria criativa do Nordeste.

A iniciativa parte da convicção de que a moda independente se expande quando dialoga com saberes ancestrais. Dessa troca surgem peças únicas, cheias de história e pertencimento, com impacto direto nas comunidades envolvidas. “Nos quatro anos de atuação da Nordestesse, percebemos que muitas vezes as marcas de moda, em geral estabelecidas nas capitais, não conhecem ou não sabem como acessar grupos artesanais que poderiam agregar muito à sua imagem e identidade. O MÃOS DA MODA surge justamente para estreitar esses laços, garantindo recursos humanos e financeiros para que essa parceria resulte numa coleção coesa e que fortaleça tanto as marcas quanto os grupos artesanais”, afirma Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse.

A primeira etapa contempla Bahia e Paraíba, viabilizada por programas de fomento cultural, com expansão prevista para o Rio Grande do Norte em 2026. Para Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo, “Investir na criatividade brasileira é investir em inovação, relevância cultural e na conexão autêntica com um consumidor que busca marcas que refletem o país. O Riachuelo Lab nasce como a materialização dessa visão: um espaço de experimentação, criação e conexão entre talentos da moda e da cultura, focado em impulsionar histórias verdadeiras”.

O edital recebeu 23 inscrições na Bahia e 17 na Paraíba, apresentando propostas diversas que exploram diferentes técnicas e narrativas artesanais. A escolha ficou a cargo de Antonio Castro, Celina Hissa, representantes da Riachuelo e dos mentores Luly Vianna e Jackson Araújo.

Os criativos baianos das marcas Adriana Meira, Areia, Dua, Inttui, Luci Bortowski e TEROY13 destacam moda manual, ancestral e urbana – Foto: Divulgação

As marcas vencedoras da Bahia e Paraíba evidenciam a força e a diversidade da criação nordestina. Da Bahia, surgem os patchworks simbólicos de Adriana Meira; as formas amplas e naturais da Areia; a ancestralidade presente nas bijoux da Dua; a alfaiataria poética da Inttui; a moda regenerativa de Luci Bortowski; e o streetwear político e vibrante da TEROY13.

Duda Carvalho (Carnavália) e Lucyana Azevedo (Morada) unem brasilidade, leveza e tradição artesanal vinda da Paraiba – Foto: Divulgação

Da Paraíba, a Carnavália celebra cor, festa e brasilidade, enquanto a Morada resgata o bordado labirinto e os tingimentos naturais, conectando tradição e inovação.

As duplas selecionadas terão apoio financeiro para desenvolver coleções de 10 a 12 looks e participar de oficinas de branding, estratégia comercial e comunicação digital. As peças devem ficar prontas até março de 2026 e serão apresentadas inicialmente em eventos locais. Em junho, chegam ao palco nacional no Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza, evento que impulsiona a moda brasileira.