Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen
Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen

Por Ligia Carvalhosa

Quando criança, ela dividia seu tempo entre o ateliê da mãe, a artista plástica Nani Sampaio Barros, e a casa do arquiteto Carlinhos Motta, amigo íntimo de seu tio, o também arquiteto Alfredo Pimenta. Desse contato, desenvolveu gosto pela estética e por construções. Hoje, aos 34 anos, Isabel Matarazzo comanda seu próprio escritório de arquitetura. “Filtrei erros e acertos de 14 anos de experiência e criei uma fórmula prazerosa de trabalho”, conta ela, que, por sete anos, integrou a equipe de João Armentano, cuidou de obras públicas e restauros de prédios do centro de São Paulo e foi sócia do escritório de arquitetura Ellas. “Prefiro atender menos clientes, mas garantir que tudo seja personalizado e feito por mim. Escolho cada detalhe e é isso que tem rendido indicações boca a boca.”

Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen
Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen

Esses detalhes, no caso, são combinações de clássicos, como uma cadeira club chair, com representações do mundo do design atual, como as criações de Patricia Urquiola. Casamento que tem chamado a atenção de uma turma que vê no seu estilo conforto, atitude e identidade própria. “Aprendi a unir o moderno ao antigo e, assim, moldei a minha imagem. Implico com casas que são lindas de receber, mas não boas para se viver. o mais importante é ter vontade de ficar dentro do projeto que se cria.” Entre seus designers preferidos, “uma mistura daqueles dos anos 1950, 60 e 70 com seus contemporâneos: Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro, Jean Gilon, o próprio Carlinhos Motta e Tom Dixon.”

Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen
Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen

A casa em que mora, no Jardim Europa, é reflexo de seus predicados. “Gosto do aconchego, de andar descalça, pisar na grama.” no dia a dia, promove encontros musicais no estúdio que fica no jardim e reuniões de assuntos artísticos – todos os irmãos mantêm uma verve criativa, dois são fotógrafos e um músico. “Moro com minha mãe e meu irmão caçula. Mais do que família, somos como amigos que trocam experiências.” Nas paredes, quadros pintados por Nani, peças garimpadas em viagens e objetos de decoração que dão vivacidade aos cômodos. “Acabo criando ambientes mais cleans e incorporo as cores no meu jeito de vestir. Sou uma pessoa de achados, gosto de comprar em pequenas lojas de Paris e Londres e procurar em marcas como Paula Raia, Cris Barros e Juliana Jabour.” Roupas práticas, equilibradas com acessórios fortes, fazem seu uniforme do dia a dia para enfrentar a maratona de reuniões, obras e produção de interiores. “Sou fresh, peças pesadas não entram no meu guarda-roupa, com exceção dos clássicos de couro.” nos pés, flats. “Salto não tem vez, a não ser os superanatômicos da arché.” E, de fato, seu 1,78m de altura não pede centímetros extras.

Ex-modelo, Isabel traz das passarelas do extinto Morumbi Fashion o gosto por estética. “Trabalhar com moda durante três anos me deu olhos para tendências e experiência com tecidos. Foi tempo suficiente para despertar minha paixão por decoração.” Hoje, ela escolhe os objetos que preenchem as casas que desenha, mas já foi dona da Mixtape Design, loja de décor, cultura e gastronomia instalada em plena Rua Gabriel Monteiro da Silva. “O projeto acabou, mas ainda tenho vontade de criar uma linha de móveis e acessórios para casa.” Planos à parte, o foco agora é seu escritório homônimo e os clientes que atende entre São Paulo e Rio de Janeiro. “Já trabalhei em casas na Bahia, em Brasília e Minas Gerais, mas a ideia é me manter nesse eixo, minha vida pessoal e profissional está dividida nessa ponte aérea.”

Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen
Foto: Catherine Ferraz | Styling Giovanna Meneghel | Set Design Tissy Brauen

Isabel namora, há um ano e meio, o carioca Felipe Rocha e vive entre as duas cidades. “Mantenho um escritório em cada cidade. o Rio é o lugar onde me acalmo e desenvolvo a parte criativa; em São Paulo, fico no corre-corre da produção.” a relação com o litoral fluminense, aliás, vem de longa data. “Passei a infância na casa de praia dos meus avós, Ana Maria e Bené Sampaio Barros, em Búzios. Era menos turístico, reuníamos toda a família.” atualmente, a agenda cheia deixa menos tempo para o relax à beira-mar, mas os mergulhos em Ipanema fazem parte da rotina e garantem o bronze. Em São Paulo, é possível encontrá-la entre as lojas da Gabriel Monteiro da Silva, nas mesas do Adega Santiago, Le Jazz, Naga Café e Frevo, e na piscina do clube Harmonia. “Estou tentando organizar o meu tempo para voltar a nadar.” Energia, de fato, não lhe falta.