Por Luigi Torre

Podemos dizer que faz parte do Zeitgeist do momento, afinal as noticiais não são animadoras em qualquer parte do planeta e em qualquer área – política, econômica e social. Fugir é preciso. Ou ao menos desejável, como mostram muitas das coleções deste verão 2016. E para Tomas Maier, na Bottega Veneta, não é diferente.

O diretor criativo, que sempre se mostrou propenso aos escapes da vida urbana, mostrou um verão pensado para a (ou na) natureza. Para tanto, no caso dessa sobrevivência selvagem, ele se vale de todo um aparato funcional emprestado de esportes de aventura como escalada, camping e vela. Cordas aparecem como alças em sensuais vestidos de costas à mostra; fivelas e bolsos utilitários aparem em jaquetas, calças e macacões neutros, com recortes de animal print; telas e redes fazem às vezes de renda em
patchworks; e costuras assimétricas náuticas decoram amplas saias longas.

E se a descrição parece algo atípico para uma casa acostumada ao mais discreto dos luxos, vale dizer que, na passarela, nada parece fora do lugar. Com formas simples e design preciso, todos os elementos chegam alinhados à identidade. Bottega, mais ainda, com todo o padrão de qualidade altíssimo pelo qual a marca é conhecida.