Foto: divulgação
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Por Carolina Vasone

A influência de um outro nicho cultural sempre deixa o mundo fashion mais divertido. Na música, alguns dos melhores DJs viraram referência visual para quem gosta de moda remixada à pista de dança. Tudo bem além do envolvimento do top DJ Calvin Harris com as cuecas da grife Emporio Armani.

Mais underground, marcas como a Sarcastic Clothing caíram no gosto de gente como o sueco Mans Ericsson, dono do selo Rollerboys e PR da Adidas em Nova York, ele mesmo eventual colaborador da empresa (já criou estampa para um tênis Adidas inspirada no sistema de som do Paradise Garage, incensado clube nova- iorquino das décadas de 70/80). Numa recente passagem pelo Brasil, Mans desfilou sua camiseta com o “Sarcastic” estampado no peito, uma bem-humorada autoironia e também o nome da grife japonesa criada há 20 anos na região fashion de Harajuku, em Tóquio, pelo também DJ Paul Takahashi. Paul chegou a fechar a Sarcastic e trabalhar como estilista na linha masculina da grife Stussy, na Califórnia, mas acabou reabrindo a versão online da marca, que inclusive entrega aqui.

No Brasil, as t-shirts da BemLixo, com palavras e frases que remetem ao universo da noite, são o exemplo mais underground entre as grifes usadas ou criadas por DJs. Com o impagável logo “buserpente” (uma vagina estilizada dentro da boca de uma cobra), a grife, lançada no fim de 2014, é cria da festa paulistana Mamba Negra e tocada por seus integrantes. No comando está Bóris Rodrigues, responsável pelos silks, acompanhado pelo designer Alexandre Lindenberg, que assina a identidade visual. As estampas são feitas em cima de camisetas usadas, de brechós, com ilustrações e frases como “Solta o Play” e outras invenções debochadas, como “Tekno Çério”. As camisetas são mesmo as vedetes dos picapes e transmitem de provocações a repertório musical, caso de estampas com menção a festas icônicas, entre elas as do DJ Harvey, americano muso de muitos DJs e ele mesmo dono de marca de t-shirts e acessórios Harvey’s General Store.

Alguns DJs são verdadeiros fashionistas, como o francês Joakim e o brasileiro Renato Ratier. Conhecido da moda, Joakim já trabalhou para Louis Vuitton, fez projetos com a loja parisiense Colette e tem uma prima estilista que assina as coleções da Tigersushi Furs, extensão da Tigersushi, selo musical de Joakim. Além da loja em Paris, as roupas da grife são vendidas em endereços como a própria Colette e a paulistana Choix. Já Ratier, além de DJ, é dono do clube D-Edge e tem proposta ambiciosa de moda. A Ratier, sua marca criada há seis meses, passeia pelo minimalismo, mas com toque sombrio, com referências a designers conceituais, como Rick Owens. Com loja na Alameda Lorena, em SP, a grife, de linha masculina e feminina, acaba de lançar a segunda coleção, uma ótima virada, como diriam os próprios.