Monique Argalji apresenta segunda coleção da grife Argalji

Inspirada por geometrias abstratas de Burle Marx e Athos Bulcão, a carioca coloca em prática, neste verão, ótimos exercícios de modelagem

by Silvana Holzmeister
Foto: Divulgação

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A estilista Monique Argalji estava pesquisando para desenvolver a nova coleção quando deparou com a tapeçaria de Burle Marx, em particular a maior delas, com quase 27 metros de comprimento. Entre junho e setembro de 2019, a peça deixou a parede onde fica exposta, na prefeitura de Santo André, na Grande São Paulo, para integrar a exposição “Roberto Burle Marx: Modernista Brasileiro”, no Museu Judaico de Nova York.

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Encantada, Monique conta que se inspirou na abstração simétrica e nas cores da obra para criar uma das estampas para o verão 2020, que ainda traz referências ao trabalho do artista Athos Bulcão. Tudo isso ganha uma dimensão própria entre prints e volumetria no universo da Argalji, a marca própria que a carioca lançou este ano, e que chega à segunda coleção.

“É uma geometria desconstruída e também um retrô psicodélico”, diz Monique, contextualizando suas referências entre os anos 1960 e 1970. Outra proposta é o tie dye. “Fizemos três trabalhos manuais, que foram digitalizados e transformados em lenços grandes”, conta. Além das estampas, ela experimenta bordados, flores e franjas de miçangas em peças com apelo tropicalista.

Mas a praia da estilista carioca é mesmo a modelagem. “Dá amplitude ao processo. Para mim, abriu um mundo de possibilidades”, defende. Monique faz parte de uma safra bastante exclusiva de jovens criadores que ama botar a mão no tecido para experimentar novas formas e testar o potencial deles. Com cursos específicos na Parsons New School for Design, em Nova York, Central Saint Martins, em Londres, e com o mestre japonês Shingo Sato, ela adora volumes. “O processo é tão bonito quanto a peça pronta”, explica.

Agora, ela acrescenta a esse exercício babados, drapeados e franzidos em peças como uma releitura de pareô. Seu maior dilema, confidencia, é fazer uma moda autoral que também seja vendável. “Tento, a cada coleção, investir em pelo menos dois itens mais elaborados. As atuais são o vestido-lenço desenvolvido em moulage e o top com imensos babados”. Mesmo sendo os mais exuberantes do seu verão, a estilista aposta que terão espaço nos closets de garotas tão modernas quanto ela.

Carioca da gema, Monique diz que sofre influência da atmosfera da cidade. “Nossa beleza é ter uma sensualidade e, por isso, o corpo tem uma importância. Tento trazer um pouco disso, por exemplo, nos decotes nas costas”, conta ela, que criou também um sutiã de linho repleto de aplicações de flores e bordados. “Virou um top com jeito de corset”, explica, com a intimidade de quem começou a trabalhar cedo com lingerie, ajudando no departamento de estilo da Duloren – a empresa de moda íntima foi criada em 1962 pelo avô Marco.

A Argalji, referência a seu sobrenome, nasceu despretensiosa e é resultado de um caminho iniciado com a My Philosophy, que ela abriu quando tinha 23 anos, junto com a irmã, Nicole. Foi nessa época que começou a se interessar por modelagem e o que a levou para sua segunda marca, a Lab Collection, em 2016. “Era mesmo um laboratório para experimentações com formas e texturas”, recorda.

E muitas collabs, como a de blusas e quimonos de tule com a designer de joias Julia Gastin, há dois anos. Sentindo-se mais preparada depois dos cursos internacionais e com conhecimento de mercado, ela conta ter compreendido que, finalmente, havia chegado o momento de encarar uma marca autoral. “Foi natural e, para isso, busquei minha essência.” Técnica e ousadia, agora, caminham em total sinergia.

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