Modelos da By the Sea: marca de surfe agradou até quem é do asfalto – Foto: Divulgação

Por Jorge Wakabara

Quando Cyntia Misobuchi conversou com Bazaar para falar sobre a sua marca, a By the Sea, ela estava prestes a fazer as malas. Ia viajar para o México dali alguns dias com um grupo de mais nove mulheres. E sabe para quê? Surfar. Dez dias surfando. Quem não está familiarizado com esse universo pode achar estranho, mas isso é normal entre praticantes de surfe – e cada vez mais. “É uma tribo?”, perguntamos para Cyntia. Ela refletiu um pouco e respondeu: “É sim. E tem essas vertentes, o pessoal que surfa de pranchinha, que surfa de longboard… Porque a gente acaba gostando de um mesmo tipo de onda”.

Porém, quando a By the Sea começou, não era bem assim. Cyntia nasceu em Piedade, cidade que fica entre Sorocaba e Ibiúna, no interior de São Paulo, mas sempre gostou de mar. Veio para a capital estudar moda, comprou uma prancha de surfe com um dos primeiros salários que recebeu, e correu atrás para aprender. “Não tinha parentes ou amigos que surfassem. Fazia viagens de final de semana para aprender a surfar. Aí comecei a pegar gosto pela coisa.”

Ao mesmo tempo, notou uma grande dificuldade em achar roupas femininas apropriadas para a prática. Sentia falta de peças confortáveis com estampas bonitas. “Às vezes, você achava uma coisa ou outra, mas era raro encontrar algo que unisse beleza e conforto. Eu acabava comprando fora.”

Modelos da By the Sea: marca de surfe agradou até quem é do asfalto – Foto: Divulgação

O ano era 2014 e Cyntia decidiu comprar tecidos para levar em uma costureira e fazer essas peças que ela não encontrava no Brasil para ela. Uma amiga também quis. E um dono de uma escolinha de surfe avisou: “Faz porque vende!” A então neoestilista foi cuidadosa, mesmo porque na época eram poucas mulheres que surfavam – na praia onde ela praticava, era apenas ela e essa amiga. Começou a By the Sea pequena, com dez peças de cada modelo, investimento do próprio bolso. E a aceitação superou suas expectativas.

A conjunção de fatores que levou a quantidade de surfistas a crescer inclui brasileiros (e brasileiras!) ganhando campeonatos, culminando em Ítalo Ferreira ganhando o primeiro ouro do Brasil nas Olimpíadas de 2021. Hoje, as mulheres praticam o esporte em um número muito maior – indicador disso é a própria viagem que Cyntia fez para o México. E outro dado interessante é que um dos maiores mercados da By the Sea hoje é São Paulo, ao lado do Rio. “O poder aquisitivo aqui é mais alto e a diferença é que quem mora em São Paulo e surfa tem que descer para a praia, mas isso não é um impeditivo. Só é mais trabalhoso.” E segundo um levantamento da revista “Almasurf”, de 2019, São Paulo reúne 150 mil praticantes de surfe. É a cidade não litorânea que concentra o maior número de surfistas… no mundo todo!

Arte: Harper’s Bazaar Brasil

Lá por 2018, a By the Sea passou por mais uma virada de chave. Cyntia começou a fazer outros itens, como camisas e quimonos, pensando em complementar a moda praia. “A reclamação que mais escuto é que a maioria das marcas, inclusive as voltadas para esporte, fazem peças menores, mais cavadas. Nem todo mundo acha confortável. Temos um modelo de hot pants, por exemplo, que é bem vintage, maiorzinha no bumbum, quase um shortinho, e é o nosso best-seller.”

E aí, com a ajuda da Diária (multimarca charmosa que fica em Pinheiros) e da feira Jardim Secreto, a quantidade dessas camisas e quimonos vendidos começou a crescer, e muito. “Passei a atingir um público mais urbano, talvez carente de estampa, que nem sempre vai para a praia, mas que usa as peças na cidade.”

Arte: Harper’s Bazaar Brasil

Veio a pandemia e, com ela, o encerramento temporário das lojas e feiras. As vendas de beachwear começaram a crescer, reflexo de gente mudando para a praia e investindo na qualidade de vida; enquanto a de camisas caiu. Hoje a By the Sea está pronta para conquistar quem é da prancha e quem é do asfalto. Com suas belas estampas exclusivas, seu mix de produtos esperto e em um novo cenário, com cada vez mais surfistas e mais fashionistas saindo das tocas à procura de uma moda confortável e diferente, ela promete crescer ainda mais. Essa onda não é marola!