No desfile de Thierry Mugler, em 1991 - Foto: reprodução
No desfile de Thierry Mugler, em 1991 – Foto: reprodução

 

Por Giuliana Mesquita

Aos 60 anos, Betty Lago morreu neste domingo (13.09). A atriz e ex-modelo desfilou para Thierry Mugler, Azzedine Alaia, Claude Montana, Jean Paul Gaultier e Valentino, só pra citar alguns. Foi descoberta em 1975. Desfilou em tempos em que a atuação na passarela era fundamental. Virou musa da marca em tempos de desfiles teatrais. Depois de quinze anos como modelo, se reinventou, fez um curso de teatro em Nova York e virou atriz. Morreu em detrimento de um câncer na vesícula, que descobriu em 2012.

“Uma boa parte da minha juventude se foi. Tenho milhões de fotos de Betty desde os anos 70. Quando ela veio para Paris, cheguei a acompanha-la nos primeiros castings”, relembra Marcio Madeira à Bazaar, pioneiro na fotografia de passarela internacional. “Me lembro quando fez o primeiro desfile do Montana. Na saída, estava levitando de alegria. Me disse que se morresse naquele momento, morreria feliz e realizada. Imagina, trabalhou ainda como modelo anos depois”. “Lembrando aqui da tua risada fácil, das tuas brincadeiras e do teu coração doce”, diz Mari Weickert, modelo com quem dividia o palco no GNT.

Erika Palomino deu um dos depoimentos mais emocionantes à Bazaar. Aqui, seu relato completo: “Betty destacou-se, na moda, pela personalidade forte e cativante, pelo perfil único, com aquele nariz lindo e a gargalhada maravilhosa. Não tinha como ela passar despercebida. Como apresentadora do GNT Fashion, imprimiu seu estilo também, era goste ou não goste. E ela não estava nem aí se não gostavam. Seguia em frente. Teve a mesma ousadia ao se permitir ser atriz, e como sempre as câmeras e as pessoas se apaixonaram por ela. Betty é um ícone, era uma diva, foi musa, de verdade, em um tempo em que essas palavras não estavam banalizadas. Betty, aliás, nunca foi banal e detestava a mediocridade. Deixou sua marca na moda e na vida, no Brasil e no mundo”, comenta. “Quando eu era adolescente eu colecionava fotos de Betty, que eu colava na agenda. Já como jornalista de moda, tive a oportunidade de vê-la desfilar para Mugler, uma imagem que tenho para sempre em minha memória e que considero um dos momentos mais lindos e glamourosos de tudo o que já vivi na moda. O que é mais bonito é saber que por trás disso há não apenas uma mulher bonita com roupas caras, mas também, e principalmente, uma grande mulher.”

“Acho que as primeiras imagens fortes de moda que me lembro foram as aparições de Betty desfilando para a Mugler. Aquilo pra mim era um sonho, um ideal estético. Ela era tão homogênea naquilo tudo. E o melhor: era brasileira, o que me fazia sentir mais próximo daquele sonho todo, que parecia tão distante. Betty era a mais linda e cheia de savoir faire, personificou toda uma época e é praticamente impossível pensar em Mugler e Montana e não lembrar dela”, conta o estilista Weider Silveiro.

Em depoimento à Bazaar, o estilista Walter Rodrigues recorda sua amiga: “Betty era uma amiga muito querida, usava minhas roupas desde as minhas primeiras coleções. Eu amava o jeito que ela entendia o que eu estava propondo, montava as peças do jeito dela, tornando-as únicas. Amava sua energia borbulhante, sua risada apoteótica, que era como sua presença. Era impossível não percebe-la. Foi uma mulher inteligente, sabia de tudo que estava acontecendo. Na moda sempre foi protagonista, nunca uma mera participante. Outro dia, brincando com ela no Facebook, ela me dizia que viria a Serra (aonde moro atualmente) para aproveitar as maravilhas daqui. Ela era forte, cheia de vida, mesmo sabendo que estava esvaindo. Fica a saudade e o respeito.”

Vá em paz, Betty.