Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Sarah Kern

Chemises, calças amplas de alfaiataria e sapatos oxford já são tão naturais no closet feminino que o termo “emprestado do namorado” caiu em desuso. Classificar peças como masculinas ou femininas faz cada vez menos sentido.

Quem não se lembra de Kanye West, símbolo máximo do homem contemporâneo, vestindo camisa feminina Céline no festival de música Coachella, em 2011? As saias de Rick Owens e de Raf Simons, usadas geralmente por cima de calças skinny, invadiram definitivamente o guarda-roupa masculino – Riccardo Tisci até reforçou a tendência no seu verão 2015 da Givenchy.

Sinais dos tempos. A moda é, afinal, radar preciso das mudanças sociais ao longo da história. A era dos direitos humanos, consagrada após a Segunda Guerra, vive só hoje seus anos dourados. A aceitação dos indivíduos, independentemente da orientação sexual, nunca foi tão celebrada. Casamentos entre pessoas do mesmo sexo já são legais em diversos países, assim como a adoção de crianças por pais homossexuais.

Recentemente, o Facebook britânico disponibilizou 70 opções de definição de gêneros sexuais – transexual, neutro e “sem sexo definido”, por exemplo. A Time, uma das mais conhecidas e respeitadas revistas de notícias do mundo, estampou em sua capa a atriz transexual Laverne Cox, estrela do seriado Orange Is The New Black. Laverne talvez seja a representante de mais sucesso dessa nova era, desprovida de preconceito, da qual também fazem parte os modelos Andrej Pejic e Lea T.

Assim como a questão racial desabrochou nos idos 1950, e a última década discutiu à exaustão a busca pelos direitos dos homossexuais, agora é a hora e a vez do tema transgênero. Teoria, ou melhor, prática que poderá ser vista na próxima Bienal de São Paulo, em setembro, quando artistas tematizarão a tolerância em relação às diferenças em seus trabalhos.

Leia mais sobre o assunto do momento na edição de agosto de 2014 da Harper’s Bazaar, já nas bancas!