Brincos rosa e safiras, US$ 6.490 - Foto: Divulgação
Brincos rosa e safiras, US$ 6.490 – Foto: Divulgação

Por Ligia Carvalhosa

Ele já foi ilustrador do The New York Times, trabalhou para Donna Karan, DKNY, Louis Vuitton e Marc Jacobs . Começou com estamparia, passou para o design de acessórios, até que se encontrou no universo das joias. Hoje, Marc Alary é um dos joalheiros mais incensados de sua geração e dono de uma estética que difere de tudo que há no mercado. A saber, peças articuladas em forma de animais, feitas de ouro cravejado de diamantes, safiras, rubis e turmalinas. O símbolo de sua marca são os macaquinhos que, segundo ele, são uma forma de lembrar as pessoas que elas não devem se levar tão a sério.

Para o verão 2016, Marc porém, decidiu acrescentar formas geométricas, com o intuito de ter uma linha de básicos para ser coordenada junto às suas criações mais famosas. “Era hora de ampliar e mostrar algo diferente, mas nunca estarei desconectado do meu DNA, minha ideia é desenhar peças que possam ser usadas ao lado de outras.” E não só com suas próprias joias. Francês radicado em Nova York, apresentou, recentemente, coleção criada em parceria com o também designer Yves Spinelli. “Vimos nossos anéis juntos, na mesma mão, e as proporções das peças faziam todo sentido. O processo de colaboração foi rápido e orgânico”, conta, sobre o projeto que começou nos bastidores da semana de moda de Paris e culminou nos anéis já à venda na Barney’s. Sob o nome de MasK, são peças que conjugam o trabalho de ambos numa união quase simbiótica de cobras e elos de ouro.

SELVA-À-PORTER 1. Brincos de ouro branco, diamantes e citrinos, US$ 7.890 2. Colar de ouro rosa, branco e amarelo com diamantes e topázios, US$ 4.6903. Anel de ouro rosa, US$ 3.890 4. Anel de ouro, US$ 1.650 - Fotos: Divulgação
SELVA-À-PORTER 1. Brincos de ouro branco, diamantes e citrinos, US$ 7.890 2. Colar de ouro rosa, branco e amarelo com diamantes e topázios, US$ 4.690 3. Anel de ouro rosa, US$ 3.890 4. Anel de ouro, US$ 1.650 – Fotos: Divulgação

Nascido em Toulouse, no sul da frança, Marc cresceu rodeado de exemplares da National Geographic e de objetos pouco comuns, garimpados pela avó, dona de um antiquário. De lá, partiu para Paris, onde estudou artes, ilustração e design na École Supérieure de Sesign, d’art Graphique et d’Architecture Intérieure. Em 2003, contudo, arrumou as malas e se mudou para Nova York. lá, fez as vezes de ilustrador do NYT por sete anos e começou a criar estampas para suas próprias camisetas, as quais chamaram a atenção de um estilista que trabalhava para Donna Karan, e viu ali sua porta de entrada para a moda.

Um mês depois, estava na equipe da marca e, na sequência, assinava também estampas para Louis Vuitton e Marc Jacobs. Foi Jacobs, aliás, quem o incentivou a migrar para o mundo dos acessórios. “Realmente gostava dos desenhos, mas faltava alguma coisa. Um dia, me pediram para criar joias e, quando recebi a primeira amostra, tive certeza de que era aquilo que queria fazer da vida. Continuei criando para a grife, mas, com a crise, a joalheria foi descontinuada e decidi seguir meu próprio caminho.” Hoje vende suas peças na Collete, Dover Street Market e The Webster.

Caminho que soma todas as suas experiências de vida. “Sou apaixonado por grafismos, movimento, e amo o fato de todos os animais terem a mesma estrutura básica, que é o esqueleto”, comenta, sobre seu trabalho. “Da minha infância, trago a imaginação e as intensas visitas aos museus, algo que ainda faço com frequência e que influencia meu trabalho.”  O que ajuda a explicar também a atitude que imprime em suas joias. Preciosidades pensadas para ficarem soltas na rua.

Marc sonha com suas criações circulando por aí.  “São para serem usadas e tocadas”, diz ele, que tem em Charlotte Rampling e Elizabeth Taylor referências de estilo atemporais. “Gosto de mulheres reais, elegantes e cultas. Admiro as duas porque eram independentes e fortes.”