Na temporada em que a cintura baixa já não era novidade, Matthieu Blazy levou a ideia adiante e fez a linha da calça e da saia despencar, mesmo presa por cinto. Foto: Reprodução

A Chanel resolveu mexer num ponto que parecia já estar estabilizado, quase preso. Sim, as cinturas vêm baixando há algumas temporadas. A calça alargou, a saia desceu, o quadril voltou a aparecer como toque de sensualidade e de estilo. Mas, no desfile de outono 2026, Matthieu Blazy foi um passo além.

O que caiu não foi só a cintura. Foi o próprio cós! Não se trata apenas de uma peça low rise, daquelas que todo mundo já se rendeu desde o boom da trend 2YK . Ali, o cós parecia escorregar do corpo, mesmo quando um cinto entrava em cena para marcar alguma estrutura. O cinto já não segura: só acompanha, como acessório que é. Ele não organiza a roupa – ele testemunha a queda.

 

Só que essa queda do cós não aparece como truque sexy puro e simples. Ela mexe na arquitetura da roupa. Desloca proporções, alonga o torso, bagunça a ideia clássica de encaixe e faz o olhar descer junto com o próprio queixo. É quase como se a Chanel dissesse que a elegância agora não está em ajustar o corpo, mas em deixar a roupa escapar dele um pouco.

Há também algo do espírito do tempo nisso. O desfile costura esse rebaixamento da cintura com brilho, movimento e uma atmosfera que flerta com outra época, mas segue muito atual. O efeito é contemporâneo justamente porque não tenta reconstruir um passado de forma literal.

A Chanel usa referências conhecidas para mexer numa zona muito concreta da silhueta: o cós caindo, mesmo de cinto, como sinal de que a moda continua procurando novas maneiras de tirar o corpo do lugar comum. Por aí, caiu também?