Balenciaga, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Balenciaga, inverno 2018 – Foto: Divulgação

É histórico! Encurtar saias e vestidos foi um divisor de águas comportamental e cultural durante a década de 1960. O movimento Swinging London, criado pela juventude efervescente da capital inglesa, trouxe mudanças de estilo de vida que impactaram, inclusive, na forma de se vestir.

A estilista Mary Quant foi a responsável por criar e popularizar peças como a minissaia e as hot pants, em modelagens geométricas e tonalidades vibrantes. A geração baby boomer experimentou o momento de liberdade para exibir as pernas pela primeira vez nas ruas, com diversão e sensualidade na medida.

A celebração à liberdade para exibir o corpo é um dos grandes discursos da moda. E, apesar da hegemonia dos comprimentos mídi e longos nas últimas temporadas, as marcas estão trazendo, para o inverno 2018, um respiro fresh para vestidos, saias e shorts na altura da coxa, que prolongam ainda mais a ideia de que o sex appeal genuíno das peças curtas está a quilômetros de distância da vulgaridade.

Para a Balenciaga, Demna Gvasalia brincou com a ideia de sobreposição no modelo de gola alta preto. O estilista aplicou um tecido azul estampado para criar franzidos, que cobre tanto o corpo quanto as mangas de forma assimétrica.

Versace, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Versace, inverno 2018 – Foto: Divulgação

Já no DNA sexy avassalador da Versace, um posicionamento ligado, principalmente, ao poder. Nas mais recentes coleções, Donatella tem investido forte no discurso de empoderamento feminino, trazendo aliados impactantes para compor o guarda-roupa desta mulher.

No caso, a minissaia de couro com fenda criada por causa da modelagem transpassada vem acompanhada de um suéter xadrez, com shape amplo e solto. O que dá forma ao tricô é a saia, com cintura alta, e o cinto com maxifivela.

O equilíbrio da regra “esconde e mostra” mudou, de forma que, hoje, não é mais uma imposição da moda seguir essa estética, mas um piloto automático, que se transforma na solução ideal para levar os curtinhos para o dia a dia.

Off-White, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Off-White, inverno 2018 – Foto: Divulgação

Em uma atmosfera baseada na cavalaria, Virgil Abloh deu um espaço especial às hot pants na passarela da Off-white. Seja em versões feitas em jacquard ou all black, a proposta com ar esportivo ganha toque glamoroso com a sobreposição do casaco, que mistura texturas do couro de píton no corpo e crocodilo nas mangas.

Isabel Marant, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Isabel Marant, inverno 2018 – Foto: Divulgação

Dentro da proposta inspirada em um cenário caubói norte-americano, Isabel Marant apostou em uma série de cocktail dresses para fechar a passarela com atitude oitentista. Em especial, há um modelo de couro justíssimo, com manga volumosa de um lado só e franzidos diagonais que evidenciam ainda mais as curvas.

Saint Laurent, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Saint Laurent, inverno 2018 – Foto: Divulgação

E quem segue à risca os caminhos da década glam é Anthony Vaccarello para a Saint Laurent e Lorenzo Serafini para a Philosophy. Além dos metalizados e shapes marcantes, é raro encontrar um vestido que ultrapasse a linha do joelho.

Philosophy, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Philosophy, inverno 2018 – Foto: Divulgação

Entre os destaques ousados e cool do sucessor de Hedi Slimane estão os shorts com estruturas soltinhas em uma mesma produção composta por camisas transparentes. Em solo italiano, Lorenzo trouxe referências vitorianas por trás da lente 80’s, mesclando o tubinho de veludo preto com mangas maxibufantes cor-de-rosa.

Alexander Wang, inverno 2018 - Foto: Divulgação
Alexander Wang, inverno 2018 – Foto: Divulgação

Seguindo o espírito noturno, Alexander Wang apostou em um contraste urbano e elegante nos looks com modelitos míni para reforçar o seu DNA de party boy. Os shorts com aplicação de metais miúdos na barra, que remetem à atitude rocker, encontraram peças delicadas e sofisticadas, como o casaco branco e longo de tweed.

Trazer os curtos para o front novamente foi, sem dúvida, um movimento importante para a ala feminina, que busca fortificar valores de independência e liberdade corporal. Dentro dos parâmetros usados seis décadas atrás para abolir os códigos rígidos de vestimenta e seguir o mesmo sentimento de autonomia, é provável que hoje, aos 84 anos, Mary Quant esteja orgulhosa de sua revolução.

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