Por Ligia Carvalhosa

Fernanda Yamamoto viajou oito vezes para Cariri, na Paraíba. Foi um ano rendando seu inverno ao lado de 97 mulheres da região. “Falo sobre feminilidade, sobre o resgate de uma tradição a partir de um viés moderno”, conta a estilista, que elevou o trabalho manual de sua marca a outro patamar. Na passarela, a renda renascença ganha pontos abertos que mais lembram grandes rede de pesca.

Tudo em camadas de transparências sobrepostas com tiras de feltro em tons esmaecidos, lavagem degradê que remete às casas e ao chão da região. Solado interpretado também em grandes patches de tecidos (algo como grande rachaduras da terra seca) como seda, telados, algodão, feltro e casulos de couro. Tudo feito à mão num resgate da cultura brasileira. Parte das artesãs, inclusive, cruzou a passarela que teve direito até a lágrimas da própria Fernanda.