Fotos: Agência Fotosite e Divulgação
Fotos: Agência Fotosite e Divulgação

Por Luigi Torre

Foi durante os anos 1920 que Martha Graham deu início a sua revolução no mundo da dança e da coreografia.Em 1998, sete anos após seu falecimento, foi nomeada a dançarina do século. Mas é agora, quando completaria 122 anos, que se torna a referência número um entre alguns dos estilistas mais influentes da atualidade. Valentino, Loewe, Céline, Chanel e Marc Jacobs são apenas algumas das marcas que reproduziram nas passarelas ideias que já subiram ao palco com a coreógrafa, conhecida pela intensidade severa de sua técnica, por sua aparência teatral e seus movimentos dramáticos.

Moda e dança andam de mãos dadas já faz tempo, é verdade. São incontáveis as coleções inspiradas, por exemplo, no Ballets Russes – de Paul Poiret a Chanel (que também criou figurinos para a companhia) e Yves Saint Laurent. Só que a leitura é um pouco diferente. Menos palco e mais bastidores. Na verdade, mais rua até. Quem melhor resume o clima é a dupla Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que estava à frente da Valentino. Para o inverno 2016 da casa italiana, o duo olhou não só para os figurinos e tutus, mas muito mais para os collants, tops de mangas longas, suéteres, leggings, camisetas e saias fluidas que os bailarinos usavam entre as apresentações e em ensaios. Com eles, coturnos, jaquetas perfecto e mais um aparato pesado, do closet masculino e da cultura street.

A figura do bailarino fora de cena, convenhamos, tem apelo especial no imaginário pop.É só lembrar de Jennifer Beals e seu suéter cinza oversized em “Flashdance“; em Jennifer Grey com sua camisa Oxford e jeans colado ao corpo, em Dirty Dancing; e Mikhail Baryshnikov de skinny, em Noites Brancas. Mais ainda quando suas roupas falam diretamente sobre o que mais desejamos em nossos guarda-roupas – leia-se peças básicas, confortáveis e práticas.Por aí, o body combina com o jeans folgado,a saia com sapatos pesados e a sapatilha com o couro rocker.

De volta a Martha Graham, no auge decorativista, ela abdicou do glamour do balé pela sobriedade do minimalismo (Halston e Calvin Klein se tornariam seus figurinistas,nos anos 1970).Segundo ela,as formas puras e a leveza do jérsei eram essenciais para potencializar o movimento. E hoje, movimentar-se nunca foi tão necessário – nossas roupas, cada vez mais esportivas, que o digam. E nas palavras da coreógrafa: “O corpo é uma roupa sagrada”.