Vitorino Campos, inverno 2016; Proenza Schouler, verão 2016: Giuliana Romanno, inverno 2016; Jli Sander, inverno 2016; Céline, verão 2016 - Foto: reprodução
Vitorino Campos, inverno 2016; Proenza Schouler, verão 2016: Giuliana Romanno, inverno 2016; Jli Sander, inverno 2016; Céline, verão 2016 – Foto: reprodução

Por Luigi Torre

Passado o Carnaval e iniciado oficialmente os trabalhos para 2016 (pelo menos para nós, aqui, ao sul da linha do Equador), é hora de repensar o que vestir no escritório. E as principais passarelas do planeta já dão a deixa do que mudar: assumir um ponto de vista mais feminino. Sim, a alfaiataria segue como uniforme corporativo número um, mas não sem algumas reformulações. Suas formas ficam menos sisudas, mais suaves e soltas e com volumes arredondados. Os tecidos deixam a rigidez de lado e abraçam a leveza e a fluidez como qualidades básicas. As cores abandonam a predominância de tons escuros e sóbrios, e adotam outros mais suaves. E as ombreiras dão lugar a aberturas e recortes delicados.

O mundo mudou, ou melhor, está mudando. Características antes banidas por excesso de feminilidade ou frivolidade já não são vistas com maus olhos. Pelo contrário. Mulher alguma precisa se vestir de homem para conquistar seu posto no mercado de trabalho. E ainda que o número de mulheres em posição de comando esteja bem aquém do ideal igualitário (só 14,2% das top 5 posições de liderança das empresas do índice S&P 500 são ocupadas por mulheres), há uma lenta, mas forte mudança de pensamento em curso. Mesmo longe do topo da cadeia corporativa, são elas que comandam US$ 20 trilhões do consumo global por ano, segundo a revista Forbes. Natural que a moda acompanhe. Sempre foi assim, reflexo de uma sociedade e suas vontades.

Por aí, a moda minimalista e prática de temporadas passadas perde um pouco de sua frieza e se alinha aos movimentos que pedem por mais leveza e naturalidade na vida. Espírito capturado com precisão por Rodolfo Paglialunga em sua elogiada coleção de verão 2016 para a Jil Sander. Numa passarela com pequenos oásis verdes, seus ternos se mostravam mais adequados ao jardim do que às salas de reunião. Eram delicados e femininos, mas não menos preparados para as funções do dia a dia. Como tecido-base, tinham linho e algodão, materiais mais macios e fluidos do que de costume e que permitem maior variedade de volumes, drapeados, envelopados e torções.

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A aparência do novo look de trabalho permanece simples, mas sua construção se torna mais rica com complexidades discretas. É que a imagem pura funciona como lente de aumento para modelagens inovadoras e silhuetas marcantes. Justamente por isso, a combinação de cores desta nova alfaiataria é sempre monocromática e os adereços, pontuais, quase sempre incorporadas à modelagem. Plissados e laços, por exemplo, são itens importantes: um confere movimento e o outro, feminilidade. Mas ambos aparecem tímidos, reduzidos ao máximo ou aos mínimos detalhes. Formas abaloadas ou infladas, por sua vez, trazem ecos da alta-costura para o look do trabalho, ao mesmo tempo que fazem referência a esculturas ou obras arquitetônicas.

Transpassados, amarrações e desconstruções também são recorrentes, a exemplo do verão sensual da Proenza Schouler ou do inverno escapista de Giuliana Romanno. A estilista paulista também se vale da principal padronagem desta estação: as listras. Finas, grossas, contínuas ou interrompidas, verticais, horizontais ou diagonais, elas ressaltam as formas e a silhueta – de preferência inovadoras e acompanhadas de acessórios arquitetônicos extravagantes, com detalhes artsy.