Fotos: reprodução
Fotos: reprodução

Por Luigi Torre

Não havia trilha sonora, apenas sons de pássaros, insetos e o vento sobre as folhas das árvores. A passarela era coberta por uma espécie de vegetação rasteira, entre diferentes tipos de gramas e musgos. Sobre elas a melhor interpretação dos anos 1970, década referência para esta estação: calças soltinhas, as vezes com gancho e cintura baixa, jaquetas de proporções reduzidas, blazers oversized, camisetas e regatas de seda caindo levemente sobre o corpo, o top-faixa obsessão do momento, túnicas esvoaçantes e uma série de vestidos superleves com alças quase invisíveis de tão finas. Com seu desfile de verão 2015, propõe uma fuga à natureza. Mas não só.

As roupas seguem à risca o estilo andrógino exótico do estilista belga. A predileção por tecidos ricos em processos manuais, muitas vezes típicos de regiões e culturas remotas do mundo, aparece aqui em jacquards, patchworks e bordados, perfeitamente adequados ao aqui e agora.

Silhuetas e proporções são igualmente atuais – confortáveis, afastadas do corpo, como caindo sobre ele, numa sensualidade totalmente natural. Naturalidade, aliás, é a palavra chave para entender o apelo dessas roupas. As desejamos porque as entendemos, nos relacionamos com sua possibilidade real em nossas vidas, ao mesmo tempo em que nelas nos inspiramos.

Há todo um movimento no mundo, buscando a reconexão com elementos naturais, mais humanos e menos tecnológicos. Na verdade, de tempos em tempos, surge a necessidade por intervalos e escapes da velocidade acelerada da vida. Um retorno ao passo natural das coisas, à natureza.

Ao longo da história, diversos grupos se destacaram por filosofias que pregavam um distanciamento dos avanços da vida moderna. O exemplo-referência do momento sendo o Bloomsbury Group, por volta dos anos 1950 e 1960, na Inglaterra. Agora, com seu verão 2015, Dries Van Noten é o mais recente estilista a abordar o tema.

Porém, o faz colocando o foco nas roupas. Sem música, sem subterfúgios teatrais, somos obrigados a olhar o que realmente interessa num desfile – no caso, peças que também recuperam o valor humano da moda, por meio de processos manuais e da composição de identidade através das roupas.

Clique em nossa galeria para ver looks selecionados da passarela da grife, em desfile realizado nesta quarta-feira (24.09), na semana de moda de Paris: